Marilha Menezes Antunes, de 28 anos, morreu na tarde de segunda-feira (08) durante um procedimento estético no Hospital Amacor, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. A família acusa a equipe médica de negligência. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Amigos relataram que Marilha havia economizado para realizar a cirurgia e decidiu se dar o procedimento de presente, já que havia feito aniversário no dia 1º de setembro.
“Por volta de 12h, ela subiu com a enfermeira para iniciar o procedimento. Quando foi perto de 18h, a irmã subiu atrás de uma enfermeira porque ela viu uma passando, pedindo para chamar o Samu. Quando ela chegou lá, o médico estava em cima da Marilha, reanimando, visivelmente cansado. Ela ficou 90 minutos em reanimação, mas não resistiu”, contou Beatriz Bruno, amiga da jovem.
A irmã da jovem, Carol Menezes, afirmou que Marilha teve um órgão perfurado e não recebeu a assistência necessária. A clínica, no entanto, nega (veja a nota na íntegra).
“Por negligência médica, ela teve um órgão perfurado e morreu de hemorragia, não teve assistência nenhuma, nem do médico e nem da clínica. Levei ela para realizar um sonho e ela recebeu a morte”, desabafa.
O médico responsável relatou à família que Marilha sofreu uma broncoaspiração, seguida de parada cardiorrespiratória. O Samu confirmou que foi acionado às 18h13, mas, apesar das tentativas de reanimação, Marilha morreu ainda no hospital.
“Segundo o médico, eles estavam precisando de oxigênio e na sala do procedimento não tinha. Não tinha o material necessário caso uma emergência acontecesse”, diz Beatriz.
Na manhã desta terça-feira (9), familiares estiveram no Instituto Médico Legal (IML) de Campo Grande para liberar o corpo. O laudo apontou choque hipovolêmico, hemorragia interna e lesão perfuro-contundente, provocada por instrumento que causa ao mesmo tempo perfuração e contusão.
Marilha deixa um filho de 6 anos. Ela será enterrada nesta quarta-feira (10) no Cemitério Cacuia, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. O velório está previsto para às 13h30 e o sepultamento às 15h30.
A Polícia Militar foi acionada e conduziu o médico que participou do procedimento e uma testemunha para a 35ª DP (Campo Grande). Posteriormente, o caso foi transferido para à Delegacia do Consumidor (Decon), que dá continuidade às investigações.
O que diz o hospital?
“A Amacor lamenta profundamente o falecimento de uma paciente após complicações de cirurgia estética ambulatorial realizada por equipe médica terceira em nossa clínica.
A Amacor é uma Clínica classificada como “One Day Clinic” (Hospital Dia) e seu Centro Cirúrgico serve como uma hotelaria, ou seja, equipes médicas terceiras alugam o espaço para realizar procedimentos. A responsabilidade da Amacor é fornecer a infraestrutura e orientação da conduta médica local.
O centro cirúrgico encontra-se devidamente aparelhado com todos os equipamentos essenciais para o atendimento de emergências cardiovasculares e respiratórias.
A unidade dispõe de carrinho de parada cardiorrespiratória completo, equipado com medicamentos, dispositivos de via aérea avançada. Complementarmente, o setor conta com desfibrilador bifásico e DEA em perfeitas condições de funcionamento.
Protocolo de Atendimento e Resposta Imediata mediante a identificação de sinais de instabilidade hemodinâmica durante o procedimento, a equipe multidisciplinar presente acionou imediatamente os protocolos de emergência estabelecidos.
As manobras de ressuscitação cardiopulmonar foram iniciadas sem dilação, seguindo rigorosamente as diretrizes do Advanced Cardiac Life Support (ACLS), com atuação coordenada e sistemática de todos os profissionais envolvidos. A pronta resposta da equipe evidencia o preparo técnico e a eficiência dos treinamentos continuados implementados na unidade.
Estamos à disposição e colaboraremos com as autoridades para o esclarecimento de quaisquer dúvidas que surgirem. Lamentamos o ocorrido e pedimos a Deus para confortar os familiares da paciente.”






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