João Fukunaga deixa comando da Previ após desgaste e auditoria do TCU

Ele renunciou ao cargo e assumirá diretoria na EloPar; Banco do Brasil indicou Márcio Chiumento para substituí-lo

O presidente da Previ, João Luiz Fukunaga, apresentou nesta sexta-feira (17) sua renúncia ao comando do maior fundo de pensão fechado do país. A saída ocorre após um período de pressões internas e externas que se intensificaram desde abril, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma auditoria sobre o desempenho do Plano 1 — principal carteira da fundação — que registrou um déficit de R$ 17,4 bilhões em 2024, informa O Globo.

Criada em 1904, a Previ é o fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil e administra patrimônio superior a R$ 250 bilhões. O rombo do Plano 1, divulgado no início deste ano, representou uma forte reversão em relação ao superávit de R$ 9,8 bilhões obtido em 2023.

A entidade, porém, informou em agosto de 2025 que a situação havia sido revertida, com resultado positivo de R$ 4,2 bilhões, o que levou o plano a registrar superávit de R$ 1,48 bilhão. Segundo a Previ, o déficit não afetou o pagamento de aposentadorias e pensões, tratando-se de um desequilíbrio técnico decorrente da desvalorização de ativos no mercado financeiro.

Mudança de rumo
Em comunicado, a Previ informou que Fukunaga deixará o cargo para assumir a diretoria de Relações Governamentais e ASG (Ambiental, Social e Governança) da EloPar — holding criada em 2015 para gerir participações do Banco do Brasil e da própria Previ em companhias dos setores de meios de pagamento, tecnologia e serviços financeiros. Entre as empresas controladas estão Alelo, Livelo, Cateno e Veloe.

Para o lugar de Fukunaga, o Banco do Brasil indicou Márcio Chiumento, atual diretor de Participações da fundação. Funcionário de carreira do BB desde 2000, ele é graduado em Direito, mestre em Gestão e Inovação e possui MBA em Negócios Financeiros pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Primeira mulher indicada pelo patrocinador
Com a ascensão de Chiumento à presidência, Adriana Chagastelles assumirá a Diretoria de Participações. Ela trabalha na Previ há quase trinta anos e é a primeira mulher indicada pelo Banco do Brasil para um cargo de direção na fundação — além de ser a primeira colaboradora da própria Previ a alcançar essa posição por indicação do patrocinador.

A sucessão marca o fim de um ciclo conturbado na gestão de Fukunaga, que enfrentou questionamentos sobre a rentabilidade dos investimentos e a condução da política interna do fundo. Sua transição para a EloPar indica, contudo, que ele seguirá próximo do núcleo estratégico de empresas ligadas ao Banco do Brasil.

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