Em Barra Mansa, bem no coração da cidade, há um cantinho verde que guarda um charme todo especial — o Parque Natural Municipal Centenário, carinhosamente chamado de Jardim das Preguiças. No próximo sábado (19), o local vai receber um mutirão de limpeza e, nos dias seguintes, um censo inédito dos seus moradores mais famosos: os bichos-preguiça.
Com seus olhos lentos, hábitos noturnos e garras longas que os mantêm pendurados nas copas das árvores, os preguiçosos mais queridos da cidade vão ganhar atenção especial da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. A missão é identificar, pesar, medir e microchipar cada animal, tudo com cuidado para não estressar os tímidos protagonistas. A estimativa é que 18 deles habitem o parque atualmente, mas esse número pode mudar — a última contagem foi feita há mais de três anos.
“Eles serão monitorados em momentos em que descem das árvores por conta própria, sem pressa, como manda o figurino preguiçoso”, explicou a equipe técnica da secretaria. O objetivo é entender melhor a saúde e os hábitos dessa população de Bradypus variegatus, nome científico da espécie de três garras que vive por lá.
O censo vai além da contagem: vai ajudar a identificar se há filhotes, mapear áreas sensíveis do parque e reforçar as estratégias de conservação. Tudo isso será feito com a ajuda de tecnologia — câmeras, aplicativos e muita paciência.
Para quem não conhece, a preguiça é um verdadeiro ícone da América do Sul. De porte médio, pesando cerca de 8 quilos, vive até 35 anos. Dorme cerca de 14 horas por dia, raramente desce do alto das árvores, e tem um truque curioso: carrega algas nos pelos, o que ajuda na camuflagem e alimenta lagartas que vivem ali, num ecossistema que parece saído de um conto da natureza.
Apesar de todo esse encanto, as preguiças enfrentam sérias ameaças: destruição de habitat, caça e o tráfico ilegal. Algumas espécies já figuram na lista de risco de extinção.
Por isso, ações como o censo e o mutirão de limpeza não são apenas eventos pontuais — são formas de cuidar do que a cidade tem de mais singular. E em tempos de pressa, nada como aprender com quem faz da calma uma filosofia de vida. Afinal, no Jardim das Preguiças, o tempo passa diferente. E ainda bem.






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