Israel bombardeia Gaza um dia após Hamas aceitar primeira fase do acordo de paz

Mesmo após anúncio de cessar-fogo e troca de reféns, aviões israelenses sobrevoaram a região enquanto várias detonações foram registradas em áreas densamente povoadas

Explosões e colunas de fumaça voltaram a ser vistas nesta quinta-feira (9) na região central da Faixa de Gaza, um dia após Israel e o grupo militante Hamas aceitarem a primeira fase do plano apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar o conflito. A proposta prevê um cessar-fogo, a libertação de reféns e prisioneiros e a criação de um governo internacional temporário para administrar o território palestino.

De acordo com testemunhas, aviões sobrevoaram Gaza durante a manhã enquanto várias detonações foram registradas em áreas densamente povoadas. Imagens compartilhadas por agências internacionais mostraram veículos da Cruz Vermelha circulando por estradas próximas à costa, onde milhares de deslocados ainda vivem em tendas após dois anos de combates.

Ataques ocorrem após avanço diplomático inédito

Os novos ataques aconteceram menos de 24 horas depois de as delegações de Israel e Hamas, mediadas pelo Egito, concordarem em dar início à primeira etapa do chamado “Plano para Gaza” — um conjunto de 20 pontos elaborado pelo governo dos EUA. O pacto representa o maior avanço diplomático desde o início da guerra, travada após o ataque do Hamas ao sul de Israel, que completou dois anos nesta semana.

Se for implementado integralmente, o plano de Trump pode aproximar as partes envolvidas como nenhum outro esforço anterior conseguiu. A expectativa da Casa Branca é conter a escalada regional que já envolveu atores como Irã, Líbano e Iêmen, além de aliviar o isolamento internacional de Israel e tentar restabelecer uma estabilidade mínima no Oriente Médio.

O que prevê o plano de Trump para Gaza

De acordo com a Casa Branca, a proposta dos Estados Unidos prevê um governo internacional temporário para Gaza, chamado de “Conselho da Paz”, que seria presidido pelo próprio Trump. O órgão contaria com líderes e ex-chefes de Estado de diversos países — entre eles o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair — até que o controle do território seja transferido à Autoridade Palestina.

O plano inclui um cessar-fogo permanente, a libertação imediata de todos os reféns ainda sob poder do Hamas, vivos ou mortos, e, em contrapartida, a libertação de prisioneiros palestinos por Israel, além da devolução de restos mortais de cidadãos de Gaza.

Outro ponto central é o compromisso de que Gaza não será anexada por Israel e de que o Hamas ficará excluído do futuro governo local. Combatentes do grupo que se renderem deverão receber anistia.

Retirada gradual de tropas e desmilitarização

O plano também propõe a retirada gradual das forças israelenses e a completa desmilitarização da Faixa de Gaza, com o objetivo de evitar a retomada de hostilidades.

Israel declarou oficialmente concordar com a proposta dos EUA. O Hamas, por sua vez, afirmou estar disposto a libertar todos os reféns logo no início do cessar-fogo e a abrir mão do controle político sobre o território, embora não tenha detalhado sua posição sobre outros pontos do acordo, como o desarmamento do grupo.

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