O Irã declarou nesta terça-feira (24) o fim da guerra que durou 12 dias, após um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país venceu o conflito imposto por Tel Aviv, enquanto as Forças Armadas israelenses anunciaram que retomariam o foco na Faixa de Gaza, especialmente no combate ao Hamas e na tentativa de resgatar reféns.
“Hoje, após a heroica resistência de nossa grande nação, assistimos ao estabelecimento de uma trégua e ao fim desta guerra de 12 dias imposta por Israel”, declarou Pezeshkian à agência estatal IRNA. Para o presidente iraniano, a ofensiva partiu do que chamou de “regime terrorista” de Israel, e a resposta de Teerã foi “exitosa”, informa O Globo.
Do lado israelense, o tenente-general Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior do Exército, declarou que o país “concluiu um capítulo importante”, mas que a campanha contra o Irã ainda não terminou. “A atenção volta-se agora para Gaza, para trazer os reféns para casa e desmantelar o regime do Hamas”, afirmou em comunicado.
Trégua oficializada após críticas de Trump
A trégua foi oficializada horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticar duramente os dois países por ataques mútuos mesmo após o anúncio do cessar-fogo, feito por ele na noite anterior. Trump usou uma linguagem incomum ao comentar a situação: “Basicamente, temos dois países que lutam há tanto tempo e com tanta força que não sabem que porra estão fazendo”, disse a jornalistas antes de embarcar para a cúpula da Otan, em Haia.
Segundo a CNN e o New York Times, fontes próximas à Casa Branca afirmaram que a decisão de Trump de anunciar abruptamente o fim da guerra surpreendeu até membros do alto escalão do governo. O plano foi impulsionado por aliados do presidente, como o vice JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff. O Catar também teria atuado como mediador entre as partes.
Na prática, os dois lados trataram de se apresentar como vitoriosos. O Irã declarou que impôs o cessar-fogo a Israel, afirmando que “forçou o inimigo a se arrepender e aceitar a derrota”. Já o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a ameaça imediata de um Irã nuclear foi eliminada, em alusão ao bombardeio americano a instalações nucleares iranianas dois dias antes da trégua.
Durante o conflito, ao menos quatro pessoas morreram após um míssil iraniano atingir um edifício residencial em Bersheba, no sul de Israel. Já em Teerã, moradores relataram a pior noite de bombardeios desde o início da guerra, em 13 de junho.
Crise humanitária em Gaza se agrava
Enquanto a guerra entre Irã e Israel chega ao fim, os ataques à Faixa de Gaza continuam a agravar a situação humanitária. A Defesa Civil de Gaza informou que 46 pessoas morreram na terça-feira enquanto aguardavam ajuda humanitária em centros de distribuição. Os tiros teriam partido de forças israelenses, segundo autoridades locais.
Esses ataques são os mais recentes de uma série de incidentes que aumentam a pressão internacional sobre Israel. O bloqueio imposto ao enclave em março — apenas parcialmente flexibilizado em maio — levou à escassez severa de alimentos, remédios e bens básicos.
Organizações internacionais também foram atingidas. A Cruz Vermelha informou que Mahmoud Barakeh, um de seus funcionários em Gaza, morreu no domingo durante os bombardeios em Rafah. “Essa perda dilacerante é outro lembrete dos imensos desafios que nossos colegas e o povo de Gaza enfrentam todos os dias”, afirmou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em nota.
A Fundação Humanitária de Gaza (GHF), financiada por EUA e Israel, também opera centros de distribuição nos setores atingidos. Mesmo com o fim da guerra com o Irã, o conflito em Gaza segue como foco de instabilidade e atenção internacional.





