Irã condena Nobel da Paz Narges Mohammadi a 7,5 anos de prisão

Advogado diz que ativista também foi punida com exílio interno e restrições de viagem; decisão ainda cabe recurso

O Tribunal do Irã condenou a ativista e vencedora do Prêmio Nobel da Paz Narges Mohammadi a sete anos e meio de prisão, segundo informou neste domingo seu advogado, Mostafa Nili. A nova sentença amplia o histórico de punições impostas à defensora de direitos humanos e reacende a atenção internacional sobre a repressão no país.

De acordo com informações publicadas pelo jornal espanhol El País, a decisão judicial se baseia em acusações de conspiração e propaganda contra o sistema. A condenação foi detalhada pelo próprio advogado nas redes sociais.

Nili explicou que Mohammadi recebeu seis anos de prisão por “congregação e conluio para cometer crimes” e mais um ano e meio por atividades de propaganda, totalizando sete anos e meio de pena.

Penas adicionais e restrições impostas

Além da prisão, o tribunal determinou punições complementares. Segundo o advogado, a ativista está proibida de deixar o país por dois anos e também deverá cumprir dois anos de exílio interno na cidade de Josf, na província de Khorasan do Sul.

Pela legislação iraniana, as penas de prisão são cumpridas de forma simultânea, o que define o tempo total de encarceramento. Ainda assim, a defesa afirma que o caso comporta recurso.

Mostafa Nili relatou que Mohammadi conseguiu fazer uma ligação telefônica após 59 dias sem comunicação. Ela informou que foi levada à Primeira Câmara do Tribunal Revolucionário de Mashad, no nordeste do país, onde ocorreu a audiência que resultou na sentença.

Saúde, detenção e possibilidade de recurso

O advogado também afirmou que a ativista contou ter sido transferida para um hospital três dias antes da ligação, devido ao seu estado de saúde. Segundo ele, a chamada foi interrompida quando ela começou a descrever as circunstâncias da prisão.

Nili defendeu que, diante das condições médicas de Mohammadi, a Justiça deveria autorizar sua libertação temporária sob fiança para que possa receber tratamento adequado. Ele acrescentou que o veredito ainda não é definitivo e pode ser contestado.

Mohammadi, de 53 anos, foi detida em meados de dezembro durante uma cerimônia fúnebre na cidade de Mashad, junto com outros ativistas, segundo familiares citados pelo El País. Ela estava em liberdade condicional desde dezembro de 2024 por motivos médicos.

Histórico de prisões e reconhecimento internacional

No fim de novembro, a ativista havia denunciado que as autoridades iranianas a proibiram de forma “permanente” de deixar o país e que não emitiam passaporte para que pudesse visitar os dois filhos, que não vê há 11 anos.

Ao longo da vida, Mohammadi já foi presa 13 vezes e condenada em nove ocasiões, tendo sido encarcerada pela última vez em 2021. Mesmo na prisão, continuou denunciando violações de direitos humanos, incluindo a aplicação da pena de morte e a repressão a mulheres que não utilizam o véu islâmico.

O reconhecimento internacional veio em 2023, quando o Comitê Nobel norueguês concedeu o Prêmio Nobel da Paz à ativista “por sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e para promover os direitos humanos e a liberdade para todos”. Grupos como a Anistia Internacional afirmam que o Irã está entre os países que mais realizam execuções no mundo, atrás apenas da China, para a qual não há números confiáveis.

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