A Polícia Federal revelou detalhes de um suposto plano que incluía o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o relatório encaminhado ao gabinete do magistrado, havia uma previsão de orçamento de R$ 100 mil para viabilizar o deslocamento de militares do Rio de Janeiro até Brasília. A execução do golpe, conforme o documento, dependeria do aumento do efetivo militar na capital federal, segundo informações de Paulo Capelli em sua coluna no Metrópoles.
A investigação baseia-se em mensagens trocadas entre o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o major Rafael Martins de Oliveira. “Pelo teor do diálogo, seria uma estimativa de gastos para possivelmente viabilizar as ações”, aponta o relatório da PF.
Na última quinta-feira Rafael Martins foi preso, assim como o general Mario Fernandes, que ocupou o cargo de ministro interino da Secretaria-Geral da Presidência da República durante o governo Bolsonaro. A operação faz parte das investigações sobre possíveis articulações para atentar contra a democracia e figuras de alto escalão no governo atual.
O relatório prossegue: “Pelo que se infere, a troca de mensagens entre Mauro Cid e Rafael Martins evidencia a existência de um planejamento, o qual necessitaria de ‘hotel’, ‘alimentação’ e ‘material’, com custos estimados em R$ 100 mil. Além disso, os interlocutores indicam que estariam arregimentando mais pessoas do Rio de Janeiro para apoiar a execução dos atos”.
parecer reproduz trecho da conversa em que os militares falam sobre levar colegas alocados em terras cariocas à capital federal. Referindo-se ao valor, disse Mauro Cid: “Para trazer um pessoal do Rio”. Rafael de Oliveira respondeu: “Pode ser preciso também”. O ajudante de ordens finalizou: “Vai precisar”.
Foi no Rio de Janeiro que o general de brigada da reserva Mario Fernandes, o tenente-coronel Helio Ferreira Lima, o major Rodrigo Bezerra Azevedo e o major Rafael Martins de Oliveira foram presos.
O diálogo sobre o orçamento foi recuperado pelas autoridades graças a uma instabilidade no UNA, aplicativo de mensagens utilizado pelo Exército. Com o app indisponível por causa do bug, eles recorreram ao WhatsApp e, dessa forma, a conversa cai nas mãos de investigadores da Polícia Federal.
Em outra frente da suposta operação clandestina, a Polícia Federal identificou que militares foram à quadra onde Alexandre de Moraes morava, na Asa Sul, em Brasília. O plano, identificou a PF, previu o sequestro e o assassinato do ministro, que se tornou um dos principais adversários do governo Bolsonaro, sobretudo após o presidente ser incluído pelo magistrado no Inquérito das Fake News, em 2021.





