Inea interdita granjas em Barra do Piraí por irregularidades ambientais

Unidades operavam sem licenciamento e apresentavam riscos à saúde pública, segundo o órgão ambiental

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) interditou, na segunda-feira, duas unidades de uma indústria de aves localizadas em Barra do Piraí, no Sul Fluminense, informa o jornal O Globo. As granjas fazem parte de um conjunto de oito empreendimentos pertencentes à empresa Reginaves Indústria e Comércio de Aves (Rica), que, de acordo com o órgão ambiental, operavam sem licenciamento ambiental, em desacordo com a legislação vigente.

Durante a ação, os técnicos do instituto constataram uma série de irregularidades. Imagens divulgadas pelo Inea mostram carcaças de aves espalhadas pelo chão, em meio a animais vivos, além de sujeira acumulada nos recipientes destinados ao fornecimento de água. As multas aplicadas no âmbito da operação podem ultrapassar R$ 2 milhões. Ao todo, cerca de 40 pessoas participaram da fiscalização.

Irregularidades e riscos identificados

Segundo o Inea, a suspensão das atividades não se restringe à ausência de licença ambiental. As equipes também identificaram captação superficial de recursos hídricos sem autorização, emissão de poluentes atmosféricos decorrentes da queima irregular de resíduos animais, contaminação do solo provocada por resíduos oleosos provenientes de geradores, além de maus-tratos aos animais.

Outro ponto destacado pelo órgão é a proliferação descontrolada de insetos, sem adoção de medidas de controle de vetores, o que representa risco tanto à saúde pública quanto à população que vive no entorno das granjas.

Reclamações da população motivaram ação

A operação integra um processo iniciado pelo Inea ainda em 2025, após o recebimento de diversas reclamações de moradores da região. Segundo o instituto, as denúncias apontavam mau odor persistente e aumento significativo na presença de insetos, especialmente moscas, afetando diretamente a qualidade de vida da vizinhança.

A partir dessas queixas, o órgão ambiental passou a monitorar as atividades da empresa e intensificou as ações de fiscalização nas unidades instaladas no Sul Fluminense.

Vistorias, notificações e descumprimento

Antes da interdição realizada nesta semana, a Diretoria de Licenciamento Ambiental do Inea promoveu vistorias técnicas nas granjas e realizou reuniões com representantes da empresa. Durante esse período, foram emitidas notificações com uma série de exigências destinadas a corrigir os problemas identificados.

O órgão informa que também foi proposta a celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). No entanto, as determinações não foram atendidas dentro do prazo de 90 dias estabelecido pelos técnicos.

“O papel do Inea é garantir que todas as atividades econômicas sejam desenvolvidas de forma regular e sem colocar em risco a saúde da população ou o meio ambiente. A interdição dessas granjas é uma medida necessária diante do descumprimento reiterado das normas e da ausência de providências por parte da empresa. Seguimos trabalhando em prol do estado”, afirma o secretário do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.

Outras unidades sob monitoramento

Com a operação desta segunda-feira, sobe para três o número de unidades da empresa interditadas pelo Inea. Uma granja da Reginaves já havia sido fechada anteriormente no município de Rio Claro, no fim do ano passado. As demais unidades do grupo continuam sob monitoramento do órgão ambiental.

Procurada pela reportagem do Globo, a empresa ainda não se manifestou.

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