Um espaço que se apresentava como centro de resgate e educação ambiental se tornou palco de uma grave ocorrência de maus-tratos a animais em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos do Rio. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) deflagrou, nesta terça-feira (21), uma operação que resultou no resgate de 93 animais silvestres, incluindo duas espécies ameaçadas de extinção, e na autuação do Instituto Larissa Saruê por manter fauna em condições insalubres e ilegais.
A ação foi coordenada pelo Inea, em conjunto com o Ministério Público do Rio (MPRJ), a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (Dpma), o Ibama, a Polícia Federal e o Juizado da Infância e Juventude. No local, que já havia sido interditado em 2024, os agentes encontraram animais mortos, sujeira acumulada e falta de higiene, além de diferentes espécies silvestres, domésticas e exóticas confinadas no mesmo ambiente, o que representa risco de transmissão de zoonoses.
Entre os animais resgatados estavam três papagaios-chauá, espécie ameaçada de extinção, além de gambás, corujas, jabutis, ouriços, saguis, iguanas e serpentes. Todos foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) e ao Instituto BW, onde passarão por avaliação veterinária e tratamento especializado.
O local era administrado por Cristiane Monteiro, mãe de uma adolescente de 13 anos usada na divulgação do espaço nas redes sociais. O Inea já havia flagrado a mesma instituição em situação semelhante no ano passado, quando 38 animais foram apreendidos. Agora, o órgão autuou novamente o empreendimento por descumprimento de embargo, cativeiro ilegal e maus-tratos, com base na Lei Estadual nº 3.467/2000.
“É inaceitável que um espaço que se apresenta como protetor da natureza mantenha animais nessas condições. O Governo do Estado, por meio do Inea, vai continuar atuando com rigor para garantir o cumprimento da lei e o respeito à vida silvestre”, afirmou o secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.
Em nota, o MPRJ informou que o instituto realizava recolhimento e soltura de animais sem licenças legais e promovia exposições em escolas sem autorização dos órgãos ambientais. A Promotoria de Justiça de Búzios encaminhou o caso à 2ª Vara do município.
Já a responsável pelo local alegou possuir autorização judicial para o trabalho e classificou a operação como uma “retaliação”. Segundo Cristiane Monteiro, o instituto atua “em parceria com a vigilância sanitária” e realiza ações de saúde pública.
Em vistoria anterior, em agosto de 2024, o Inea já havia constatado falta de alimentação e iluminação adequadas, além de aves ameaçadas de extinção e animais mortos. Após a nova operação, as atividades do instituto foram suspensas até que sejam garantidas condições seguras e legais para o manejo da fauna. O caso segue sob investigação.
Denúncias de maus-tratos
O Inea reforça que mantém operações permanentes de combate aos crimes ambientais e ao tráfico de fauna silvestre em todo o estado. Denúncias podem ser feitas de forma anônima ao Linha Verde, pelos telefones 0300 253 1177 (interior, custo local), 2253-1177 (capital) ou pelo aplicativo “Disque Denúncia Rio”, com possibilidade de envio de fotos e vídeos.






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