Indicação de Soraya Santos ganha tração para o TCU e incomoda planos petistas

Avanço da candidatura da deputada mobiliza oposição, pressiona adversários a desistirem e ameaça estratégia do PT de eleger Odair Cunha ao Tribunal de Contas da União

Rodrigo Vilela

A articulação em torno da indicação da deputada Soraya Santos ao Tribunal de Contas da União (TCU) alterou o cenário político em Brasília e passou a dificultar os planos do PT, que tenta emplacar Odair Cunha na vaga em disputa. Às vésperas da votação, prevista para esta terça-feira, a movimentação da bancada bolsonarista ganhou intensidade.

O objetivo do grupo é consolidar o nome de Soraya como uma alternativa de consenso, reduzindo a fragmentação de votos e, consequentemente, enfraquecendo o candidato petista na disputa.

Estratégia mira retirada de candidaturas

Nos bastidores, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro atuam para convencer outros postulantes a abrirem mão da corrida pelo cargo. A estratégia deve ser discutida em reunião marcada para esta terça-feira.

Entre os nomes que podem ser pressionados a desistir estão Danilo Forte, Hugo Leal, Elmar Nascimento e Adriana Ventura. A avaliação predominante é que a multiplicidade de candidaturas favorece Odair Cunha, ao dividir os votos entre adversários.

Candidatura ganha força como fator de união

A entrada de Soraya Santos no páreo é vista como decisiva para o rearranjo político. Sua candidatura passou a funcionar como ponto de convergência entre diferentes grupos da oposição.

Além disso, aliados destacam o argumento da representatividade de gênero, já que o TCU atualmente não possui nenhuma ministra e, ao longo de sua história, contou com apenas duas mulheres no cargo.

Resistência ao PT e estratégia de sigilo

Interlocutores do bloco oposicionista também intensificaram críticas à possibilidade de o PT indicar um nome para o tribunal, citando desgastes recentes no Congresso envolvendo a execução de emendas parlamentares pelo governo federal.

Mesmo com a tentativa de construir um acordo para reduzir o número de candidatos, a estratégia deve ser mantida sob sigilo até os momentos finais. Aliados de Soraya avaliam que a exposição antecipada de uma convergência de apoios pode provocar reação da presidência da Câmara, que já teria sinalizado compromisso com a eleição de Odair Cunha — incluindo a possibilidade de adiamento da votação.

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