Indiana Jones de Niterói transforma investigação sobre Percy Fawcett em HQ

Mauricio Acklas percorreu mais de 100 mil quilômetros seguindo os passos do explorador britânico

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O pesquisador e documentarista Mauricio Acklas, natural de Niterói, transformou em história em quadrinhos parte da investigação que realizou durante anos sobre o explorador britânico Percy Fawcett, que desapareceu na Amazônia em meados da década de 1920. O primeiro volume de Decifrando Fawcett – O homem será lançado no domingo (13), às 18h, durante a Bienal de São Paulo, no Pavilhão Azul.

Conhecido como o “Indiana Jones de Niterói”, Acklas passou anos refazendo caminhos de Fawcett, consultando documentos, mapas e arquivos históricos e visitando sítios arqueológicos, percorrendo mais de 100 mil quilômetros. A HQ, porém, não começa pelo episódio que tornou o explorador famoso: seu desaparecimento.

A narrativa volta algumas décadas para apresentar a formação de Fawcett antes de suas expedições pela América do Sul. O primeiro volume aborda sua infância e juventude no Império Britânico, a passagem pelo Ceilão, o treinamento militar, a atuação como topógrafo, a aproximação com a Royal Geographical Society e o casamento com Nina Paterson.

A história chega a 1906, quando Fawcett recebe a missão de participar do mapeamento de áreas pouco exploradas da América do Sul. Ele parte para o Panamá, deixando a mulher e o filho pequeno, Jack, no Reino Unido.

Desaparecimento de Fawcett fica para os próximos volumes

O episódio mais conhecido da trajetória de Fawcett ocorreu quase duas décadas depois. Em 1925, ele entrou no interior do Brasil acompanhado do filho Jack e de Raleigh Rimell em busca de uma suposta civilização perdida, que chamava de “Z”. Os três desapareceram e nunca foram encontrados.

O caso completou 100 anos em 2025 e deu origem a livros, documentários, expedições e diferentes teorias sobre o destino do grupo.

A HQ faz parte do projeto Decifrando Fawcett, desenvolvido pela Guayamu Cultural desde 2020. As pesquisas de Acklas já passaram por regiões brasileiras como a Serra do Roncador, o Xingu, a Amazônia e o Acre, além de países como Peru, Chile, Colômbia, Itália, Grécia, Turquia, França, Espanha, Portugal e Reino Unido.

Em uma das expedições, o pesquisador percorreu mais de 36 mil quilômetros em 114 dias, passando por sete países e 56 sítios arqueológicos.

A investigação atual combina métodos contemporâneos com documentos históricos. Enquanto Fawcett usava bússola, mapas e instrumentos de topografia, Acklas recorre a GPS, drones, câmeras e arquivos digitalizados para reconstruir os caminhos percorridos pelo explorador.

Decifrando Fawcett – O homem será o primeiro de uma série de quatro volumes. Os próximos serão O explorador, A caçada e O místico. A busca pela chamada Cidade Z e o desaparecimento de Fawcett serão abordados nas etapas seguintes da história.

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