IML libera últimos corpos da megaoperação que deixou mais de 120 mortos no Rio

Liberação dos últimos corpos encerra espera de familiares no instituto. Polícia afirma que 78 dos 99 identificados tinham antecedentes

O Instituto Médico Legal (IML) do Centro liberou neste sábado (1º) os últimos corpos das pessoas mortas durante a Operação Contenção, realizada na última terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da cidade. 

A ação, que mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, tinha como objetivo causar um baque no Comando Vermelho, cumprindo mandados de prisão e busca e apreensão contra integrantes da facção. Tida como a mais letal da história do estado, a operação deixou pelo menos 121 mortos, segundo o balanço oficial, incluindo quatro policiais.

Para familiares, a liberação representa um alívio, mas também intensifica a dor pela perda. Grávida de poucos meses, Karine Beatriz de 26 anos esteve no IML para reconhecer o corpo do marido, Wagner Nunes Santana, após três dias de buscas na mata. Ela contou que o corpo foi retirado de um lago na Serra da Misericórdia, na Penha, com um tiro na testa.

“Alívio eu só vou ter com repostas para as perguntas que não vão calar: de onde vem pena de morte, se existe presídio? Presídio é apenas enfeite?”, questionou Karine, em depoimento à Agência Brasil. “Eles não vieram prender ninguém, foram para matar. Até mesmo quem se entregou, eles mataram. Enterro vai ter de ser caixão fechado”, disse.

Ela desabafou sobre a dualidade do companheiro, pai de seu bebê. “Independente dos erros dele, ele era trabalhador, era família. Semana passada, estava ajudando a erguer uma casa na comunidade, ajudou a fazer o ‘cabelo maluco’ da minha filha de 9 anos, que não era filha dele… são momentos que não vão voltar”.

Governo defende resultado operação 

Segundo dados do governo estadual, das 99 pessoas identificadas pelo IML, 42 tinham mandados de prisão pendentes e 78 tinham envolvimento com atividades criminosas, enquanto 13 eram de outros estados, como Pará, Bahia, Amazonas, Ceará, Paraíba e Espírito Santo. O principal alvo da operação, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, maior chefe do Comando Vermelho em liberdade, não foi preso.

O governo justificou a operação como necessária para conter a expansão da facção, alegando que os investigados participavam de treinamento em armamento, uso de explosivos e táticas de combate, além de movimentar cerca de 10 toneladas de drogas por mês. Apesar disso, críticos questionam a letalidade da ação e a eficácia do cumprimento dos mandados.

O governador Cláudio Castro (PL) defendeu a operação, afirmando que o trabalho de investigação e inteligência foi adequado e que a integração com outros estados reforça o enfrentamento ao crime organizado. “Em breve, vamos entregar os relatórios completos para as autoridades competentes”, disse.

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