Ilhas Cagarras completam 15 anos como Monumento Natural e ganham nova trilha oceânica

Unidade de Conservação no litoral do Rio inaugura primeiro trecho marítimo da Transcarioca e amplia estrutura de proteção ambiental

O Monumento Natural do Arquipélago das Ilhas Cagarras, um dos cartões-postais mais icônicos do Rio de Janeiro, celebrou neste domingo (13) seus 15 anos como Unidade de Conservação Federal com importantes novidades. A comemoração, organizada na Colônia de Pescadores Z13, no Posto 6 da Praia de Copacabana, marcou o anúncio da primeira trilha oceânica da Transcarioca — maior trilha urbana da América Latina — e a entrega de uma embarcação própria para o arquipélago, que dará suporte às ações de fiscalização e gestão ambiental, informa O Globo.

A trilha será inaugurada na Ilha Comprida, uma das quatro ilhas do arquipélago, e terá aproximadamente um quilômetro de extensão. O percurso circular será sinalizado e percorrerá áreas do costão rochoso e trechos de Mata Atlântica insular. A previsão é que esteja aberta ao público em agosto, com acesso por meio de guias credenciados na própria colônia de pescadores ou por empresas turísticas autorizadas.

“A partir daí, a pessoa chega à Ilha Comprida, faz o desembarque e se conecta com o trecho insular da Transcarioca, seguindo toda a sinalização que já estamos instalando”, explicou Breno Herrera, gerente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Mais de 40 condutores já foram credenciados para atividades de mergulho na região, ampliando a oferta de turismo ecológico e sustentável.

Durante a celebração, que incluiu bolo e atividades educativas com crianças e pescadores locais, a bióloga Luciana Fuzetti — fantasiada de sereia — conduziu uma aula de educação ambiental ao lado dos pescadores Marcos Santana e Marcos Antônio de Sousa, em parceria com o projeto Mar de Conhecimento.

Mais de 90 hectares sevem de abrigo para biodiversidade riquíssima

Localizado a cerca de cinco quilômetros da costa, o arquipélago é formado pelas ilhas Cagarra, Comprida, Palmas e Redonda, além das ilhotas Filhote da Cagarra e Filhote da Redonda. A área protegida abrange mais de 90 hectares e serve como abrigo para uma biodiversidade riquíssima, incluindo o maior ninhal de fragatas (Fregata magnificens) do Atlântico Sul, com cerca de 10 mil aves da espécie, além de presença frequente de golfinhos, baleias e até orcas.

O reconhecimento internacional veio em forma de prestígio: o arquipélago é considerado um hope spot — “ponto de esperança” — pela aliança global Mission Blue, voltada à conservação dos oceanos.

A chefe da unidade, Tatiana Ribeiro, destacou o simbolismo da data e o avanço institucional na proteção marinha:

“Essa é uma data muito simbólica para nós. Estamos prestes a alcançar nossa maioridade no mundo da conservação marinha. O Monumento Natural do Arquipélago Cagarras foi a primeira unidade de proteção integral marinha no Rio.”

A nova lancha inflável com cabine, equipada com dois motores e capacidade para até 13 pessoas, foi adquirida com recursos de compensação ambiental e permitirá ampliar a presença do ICMBio no local, garantindo maior autonomia e eficiência nas ações de fiscalização e preservação da unidade.

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