Igreja histórica do Centro do Rio está tomada por cupins e estrutura corre risco

Na terça-feira (8), o IPHAN realizou, em parceria com a PF, vistoria preliminar na Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, no Centro, com o objetivo de verificar possível extravio de peças

Um laudo sobre o estado das estruturas da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, localizada na Rua do Rosário, no centro histórico do Rio, aponta um elevado nível de deterioração causado por uma infestação avançada de cupins. O relatório foi elaborado pela empresa Imunegold e anexado a uma denúncia apresentada anteontem ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pelo vicariato da Arquidiocese do Rio, que é responsável pelas associações de fiéis, como irmandades, confrarias e ordens terceiras. O templo, que já tem quase três séculos de história, encontra-se com as portas fechadas há pelo menos oito anos e apresenta sinais de abandono.

O ofício solicita medidas urgentes por parte do órgão responsável pela preservação do patrimônio e destaca que “todo o interior do templo, que está comprometido por falta de manutenção e cuidados e encontra-se infestado de cupins, traças e mofo, (…) também põe em risco a integridade de peças de valor inestimável”, as quais fazem parte do tombamento e do acervo protegido. O documento menciona, inclusive, elementos dos séculos XVII, XVIII e XIX que estão em processo de degradação, como obras de arte, vestimentas sacras, tecidos ornamentais, peças litúrgicas e outros itens.

Audiência da provedora

Ontem, após a publicação de uma reportagem sobre a igreja no blog do colunista Ancelmo Gois, no jornal O Globo, o Iphan se dirigiu até o local para realizar uma vistoria, acompanhada por agentes da Polícia Federal. A provedora Brígida Rachid José Pedro foi ouvida durante a inspeção, mas não quis conceder entrevista. Posteriormente, procurada novamente, ela também optou por não se manifestar.

O templo foi tombado em 1938 e atualmente está sob a administração da família Rachid, que está sendo investigada pelo Ministério Público Federal por suspeitas de desvios, conforme noticiado por Ancelmo Gois. A igreja, que teve sua construção iniciada no século XVIII, é gerida por uma irmandade e abriga no altar-mor uma talha rococó de autoria de Mestre Valentim, que também assinou a porta do templo, além de lâmpadas de prata e telas dos evangelistas, de autoria anônima.

O anteparo de madeira, de quase quatro metros de altura, na entrada principal da igreja, que originalmente possuía vitrais coloridos, perdeu toda a sua decoração. Segundo a denúncia do vicariato, os ornamentos estavam estufados, desabando e prestes a se desintegrar devido à falta de manutenção adequada. O que restava do vitral foi desmontado, vidro por vidro, por um restaurador que trabalha junto ao Iphan, a fim de avaliar os danos e evitar maiores prejuízos.

“Extravio de peças”

O laudo também aponta a deterioração de imagens religiosas, livros e documentos antigos da igreja, que estão guardados sem proteção adequada, assim como a rouparia antiga dos irmãos da Boa Morte e vestimentas históricas. De forma emergencial, foi necessário realizar o escoramento do coro devido ao risco de desabamento, depois que uma inspeção do Vicariato verificou que parte das tábuas estava solta, com grande quantidade de pó e desnivelada, enquanto sustentava um pesado órgão de tubos. O desnível observado foi causado pelo avançado estado de ruína da madeira, que foi afetada pela ação dos cupins. A área foi isolada após o revestimento inferior do coro desabar durante a vistoria.

O Iphan comunicou que a vistoria preliminar realizada ontem, em parceria com a Polícia Federal, teve como objetivo “verificar um possível extravio de peças do interior da igreja”. A autarquia informou ainda que sua equipe técnica “constatou que o imóvel se encontra em boas condições estruturais”, mas que são necessárias ações emergenciais, que serão “melhor avaliadas” nos próximos dias.

No plano de ações do Iphan para o Estado do Rio em 2025, algumas das igrejas religiosas tombadas que demandam obras urgentes incluem as igrejas da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo e da Irmandade de Nossa Senhora Mãe dos Homens, localizadas no Centro, além das igrejas de São João Batista, em Itaboraí, e de Nossa Senhora dos Remédios, em Paraty. O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) também incluiu nove templos em sua lista de locais que precisam de intervenções urgentes.

Com informações do Extra.

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