Uma idosa de 67 anos morreu na noite de segunda-feira após ser resgatada por moradores durante um forte alagamento na comunidade de Manguinhos, na Zona Norte do Rio. Eliete Alexandre dos Santos passou mal depois que a água invadiu sua casa e precisou ser transportada em um barco improvisado até a UPA de Manguinhos. Segundo familiares, não houve atendimento do Samu devido às condições da área.
Tentativas de fuga e agravamento do estado de saúde
O drama começou quando a residência de Eliete, no Beco do Teteu, ficou completamente alagada. Ela tentou se abrigar na casa de um filho, a poucos metros, mas o imóvel também começou a encher. Em seguida, a família tentou levá-la para a casa de uma filha, ainda dentro da comunidade, mas não houve tempo.
Hipertensa, Eliete passou mal. As filhas afirmam que acionaram o Samu, mas receberam a informação de que a equipe não conseguiria acessar a região por causa da inundação. Sem alternativa, moradores tentaram usar uma piscina inflável como bote, mas o objeto afundou.
Resgate em barco e morte na UPA
A solução foi recorrer a um barco que já auxiliava outros moradores. Eliete foi levada até a UPA de Manguinhos, onde deu entrada em parada cardiorrespiratória.
“Ela chegou desfalecendo. Tentaram reanimar, mas não conseguiram”, contou a filha Simone Alexandre dos Santos Oliveira ao Extra.
Segundo a família, o atestado de óbito aponta “choque cardiogênico” como causa da morte. As filhas afirmam que, se o socorro tivesse chegado a tempo, o desfecho poderia ter sido diferente.
“Não teve socorro. Só o de moradores e parentes”, disse Miriam, outra filha.
Vida marcada por perdas e espera por benefício
Auxiliar de serviços gerais, Eliete estava afastada do trabalho por problemas de saúde e aguardava, havia dois anos, a concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas). A família esperava usar valores retroativos para buscar moradia em área mais segura. Nos últimos anos, ela perdeu eletrodomésticos diversas vezes por causa das chuvas.
A UPA de Manguinhos informou que a paciente foi levada por populares já em parada cardiorrespiratória e que, apesar dos esforços da equipe, não foi possível reverter o quadro. O sepultamento ocorre nesta quarta-feira, no Cemitério da Penitência, no Caju.






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