O número de brasileiros que vivem sozinhos triplicou em pouco mais de duas décadas, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (5) pelo IBGE. De acordo com o Censo Demográfico 2022, entre os 72,3 milhões de domicílios existentes no país, 13,6 milhões são ocupados por apenas uma pessoa. O total representa 19,1% das residências — uma fatia que cresceu de forma expressiva desde 2000, quando havia 4,1 milhões de lares unipessoais.
O levantamento mostra que esse tipo de arranjo domiciliar, chamado de “unidade doméstica unipessoal” pelo IBGE, se tornou uma realidade cada vez mais comum no Brasil, acompanhando uma tendência observada em várias partes do mundo.
Crescimento acelerado e diferenças regionais
O número de pessoas morando sozinhas vem aumentando de forma consistente desde o início do século. Em 2010, eram 6,9 milhões de brasileiros nessa condição, o que significa que, em apenas 12 anos, o número praticamente dobrou.
As maiores proporções de lares unipessoais estão concentradas nas regiões Sudeste (20,6%), Sul (19,8%) e Centro-Oeste (19,4%), todas acima da média nacional. Já as regiões Norte (14,4%) e Nordeste (17,4%) apresentam os índices mais baixos.
O IBGE aponta que fatores econômicos, culturais e demográficos ajudam a explicar esse avanço, como o envelhecimento populacional, o aumento da expectativa de vida e a mudança nos hábitos de relacionamento e de moradia.
Homens lideram até os 50 anos; mulheres depois disso
O estudo revela um equilíbrio entre homens e mulheres que vivem sozinhos. Entre os 13,6 milhões de domicílios unipessoais, 6,8 milhões são ocupados por homens e 6,7 milhões por mulheres — proporções de 50,2% e 49,8%, respectivamente.
Os homens predominam até a faixa etária dos 50 a 54 anos, enquanto as mulheres passam a ser maioria a partir dos 55 anos, o que o instituto associa à maior longevidade feminina.
A maioria das pessoas que moram sozinhas é branca (46,6%), tem baixa escolaridade — sem instrução ou com ensino fundamental incompleto (42,4%) — e renda mensal entre meio e um salário mínimo (29%).
Comparação internacional
Embora o percentual de brasileiros que vivem sozinhos tenha crescido, o índice ainda é inferior ao de países desenvolvidos. A Finlândia lidera o ranking mundial, com 45,3% da população morando sozinha, seguida pela Alemanha (41,1%), Reino Unido (30%) e Estados Unidos (27,6%).
Na América Latina, o Brasil aparece à frente de vizinhos como México (12,5%) e Argentina (16,2%), o que indica um processo mais acelerado de mudanças nas estruturas familiares e nos padrões de moradia.
Impactos sociais e desafios
O IBGE ressalta que o aumento das unidades domésticas unipessoais traz “consequências importantes” para a formulação de políticas públicas. Além de o custo de vida individual ser maior, pessoas que vivem sozinhas tendem a ter menos apoio em situações de doença, envelhecimento ou dificuldades financeiras.
“Esses cidadãos demandam políticas voltadas à saúde mental, habitação, segurança e redes de apoio social”, aponta o relatório. O crescimento desse grupo também altera o padrão de consumo, já que pessoas que vivem sozinhas gastam mais por unidade habitacional em alimentação, energia e serviços básicos.
O fenômeno, segundo o instituto, reflete um novo modelo de vida urbana e social no país, marcado por maior independência individual, mudanças nos vínculos familiares e novas formas de convivência.






Deixe um comentário