Rio lidera número de pessoas morando sozinhas; domicílios unipessoais quase dobram no Brasil em 12 anos

Levantamento mostra que 40,5% das pessoas que moravam sozinhas em 2024 tinham 60 anos ou mais, embora os idosos representem apenas 16,1% da população brasileira

O Rio de Janeiro é o estado com a maior proporção de domicílios unipessoais do país: 22,6% dos lares fluminenses tinham apenas um morador em 2024, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (22) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O percentual é bem superior à média nacional de 18,6% e reflete, em grande parte, o envelhecimento populacional.

O fenômeno, porém, não se restringe ao Rio. No Brasil como um todo, o número de pessoas que vivem sozinhas quase dobrou em 12 anos. Em 2012, havia 7,5 milhões de domicílios unipessoais. Em 2024, esse total alcançou 14,4 milhões, alta de 93,1%. É como se quase toda a população da Bahia (14,8 milhões) morasse sozinha.

De acordo com a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), os lares unipessoais representavam 12,2% do total em 2012 e passaram a responder por quase 1 em cada 5 casas em 2024.

Além do Rio de Janeiro, outros três estados também superaram a marca de 20%: Rio Grande do Sul (20,9%), Goiás (20,2%) e Minas Gerais (20,1%). Em todos eles, assim como no Rio, a presença maior de idosos ajuda a explicar o índice.

O levantamento mostra que 40,5% das pessoas que moravam sozinhas em 2024 tinham 60 anos ou mais, embora os idosos representem apenas 16,1% da população brasileira. “Os mais idosos acabam ficando viúvos ou os filhos vão ter suas próprias famílias”, explicou William Kratochwill, analista do IBGE.

Outro fator que contribui para esse arranjo domiciliar é a migração. “É comum que pessoas morem inicialmente sozinhas ao migrar para centros urbanos em busca de oportunidades de trabalho”, acrescentou o pesquisador.

Outros estados com índices acima da média nacional foram Bahia (19,9%), Rondônia (19,6%), Pernambuco (19,5%) e Distrito Federal (18,7%). Já Maranhão (13,5%) e Amapá (13,6%) registraram as menores taxas.

Enquanto isso, os arranjos familiares tradicionais ainda são maioria, mas perdem espaço. As famílias nucleares — casais com ou sem filhos e famílias monoparentais — eram 68,4% em 2012 e caíram para 65,7% em 2024, embora em números absolutos tenham crescido de 41,9 milhões para 50,8 milhões de lares.

O Brasil tinha, ao todo, 77,3 milhões de domicílios em 2024, segundo o IBGE. Além dos unipessoais e nucleares, 14,5% eram estendidos e 1,2%, compostos.

A pesquisa também mostrou a divisão por sexo da população: as mulheres representavam 51,2% dos 211,9 milhões de habitantes, contra 48,8% de homens. A diferença se explica, em parte, pela maior longevidade feminina. “As mulheres tendem a se cuidar mais, ir ao médico, estar atentas à própria saúde”, afirmou Kratochwill.

Em 2024, apenas Tocantins e Santa Catarina tinham mais homens do que mulheres.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading