Hugo Motta mantém fila de requerimentos e enterra chance de CPI do Master

Presidente da Câmara afirma que seguirá a ordem cronológica dos 16 pedidos e, na prática, inviabiliza a investigação sobre o Banco Master

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), esfriou a possibilidade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Ao afirmar que respeitará a ordem cronológica dos requerimentos, ele torna improvável a análise imediata do pedido protocolado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) na semana passada.

Segundo Motta, o regimento da Casa prevê a apreciação conforme a fila existente, que hoje soma 16 solicitações. Ele lembrou ainda que, em 2025, optou por não instalar nenhuma CPI, reforçando a tese de que seguirá o mesmo critério agora.

Levantamento do Estadão indica que 304 dos 513 deputados (59%) dizem apoiar a abertura de uma CPI do Master, seja mista ou apenas na Câmara. Um parlamentar se declarou contrário, quatro preferiram não responder e os demais não se manifestaram.

Clima político e ano eleitoral

Na prática, o critério para levar adiante requerimentos de CPI é político, o que abre espaço para mudanças conforme o ambiente no Congresso. Ainda assim, a fala de Motta sinaliza o humor predominante entre os deputados neste momento.

Parlamentares relatam pressão para demonstrar apoio à investigação, mas também temem os efeitos de instalar uma CPI em ano eleitoral, quando disputas e narrativas ganham peso extra no plenário.

Paralelamente ao pedido na Câmara, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) apresentou um requerimento para uma CPI mista, que já reúne 238 assinaturas de deputados e 42 de senadores, majoritariamente da oposição.

Fila de pedidos prioriza outros temas

A lista de 16 pedidos em espera inclui requerimentos antigos, alguns apresentados ainda em 2023, como o que apura irregularidades na venda de passagens aéreas promocionais. Há também solicitações de 2024, a exemplo da investigação sobre denúncias de exploração sexual infantil na Ilha do Marajó (PA), e de 2025, para apurar crimes digitais contra pessoas vulneráveis.

O pedido de Rollemberg, protocolado em 2 de fevereiro, é o único apresentado em 2026 e ocupa a última posição da fila, o que reduz suas chances de avançar no curto prazo.

Entre os temas que também aguardam análise estão o aumento do uso de crack no Brasil, denúncias de estupro, supostas fraudes envolvendo sindicatos no INSS e outros assuntos de grande impacto social, reforçando o cenário de disputa por prioridade no Congresso.

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