Emanoel Pereira foi condenado a 28 anos e 9 meses de prisão pela morte da médica Glaubênia Serpa Costa, em Rio das Ostras, na Região dos Lagos. O julgamento, conduzido pelo Tribunal do Júri, durou mais de 15 horas. O corpo da vítima foi localizado em março de 2024, enterrado no quintal da própria casa, meses após o crime.
Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Emanoel era uma pessoa de confiança de Glaubênia. A médica o considerava como um irmão e compartilhava com ele questões pessoais e financeiras.
Durante o julgamento, os promotores de Justiça Roberta Maristela dos Anjos e Matheus Rezende, do Grupo de Atuação Especializada do Tribunal do Júri, e a promotora Taísa Ostini, da 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Rio das Ostras, defenderam que o assassinato teve como motivação o interesse do réu em se apropriar de bens e valores da vítima.
O Conselho de Sentença acolheu a acusação apresentada pelo Ministério Público e reconheceu que o homicídio foi cometido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da médica.
De acordo com a acusação, Emanoel asfixiou Glaubênia e, quando ela já não tinha condições de reagir, a golpeou com uma faca. Depois do assassinato, ele abriu uma cova no quintal da residência, enterrou o corpo e a arma utilizada no crime e cobriu o cadáver com cal, para tentar dificultar sua localização.
Réu tentou se passar pela médica
Ainda segundo o MPRJ, após o homicídio, Emanoel tomou medidas para esconder a morte e continuar tendo acesso ao patrimônio da vítima. Entre as ações apontadas pela acusação está a tentativa de se passar por Glaubênia nas redes sociais nos meses seguintes ao crime.
O réu também teria se apropriado de bens da médica e realizado transações bancárias em nome dela. Conforme a investigação, ele se aproveitou da relação de confiança construída com a vítima e do acesso que tinha às contas e ao patrimônio dela.
“O homicídio foi seguido por uma sequência de condutas voltadas a esconder o crime e permitir que o réu continuasse se beneficiando da confiança que Glaubênia havia depositado nele”, afirmou a promotora Simone Sibílio.
Desaparecimento levou à investigação
A investigação começou depois que pessoas próximas à médica estranharam o desaparecimento dela e procuraram o Ministério Público. Com as informações recebidas, o MPRJ pediu diligências à 128ª DP (Rio das Ostras).
Durante a apuração, Emanoel confessou o homicídio e levou policiais até o imóvel, indicando onde enterrara o corpo de Glaubênia e a faca usada no assassinato.
Os agentes também encontraram na residência os animais de estimação da médica. Segundo o MP, eles estavam abandonados em condições insalubres, sem alimentação, hidratação, higiene e cuidados adequados.
Emanoel também foi condenado por maus-tratos aos animais. A sentença determinou ainda que ele fique proibido de manter a guarda dos pets.







Deixe um comentário