O Brasil passou a adotar oficialmente novos critérios para o diagnóstico da hipertensão arterial. A partir de agora, pessoas com pressão a partir de 12 por 8 já entram na categoria de pré-hipertensão, o que significa um estado de alerta para médicos e pacientes. A decisão acompanha recomendações recentes da Europa e dos Estados Unidos e foi divulgada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).
Segundo os especialistas, a mudança busca identificar precocemente pessoas em risco, incentivando medidas de prevenção antes que a doença avance. Dados do Ministério da Saúde mostram que, apenas em 2024, mais de 365 mil brasileiros morreram por doenças cardiovasculares, sendo mais da metade relacionada à pressão alta.
O cardiologista Marcelo Bergamo, do Hospital Santa Bárbara, avalia que o impacto será grande: “Essa mudança serve de alerta para que os pacientes tenham acompanhamento mais próximo. Quanto mais cedo o controle é feito, melhor o prognóstico e a prevenção de eventos graves”.
Principais mudanças das novas diretrizes
1. Classificação da pressão arterial
- Normal: abaixo de 12 por 8 (120×80 mmHg)
- Pré-hipertensão: entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9
- Hipertensão: a partir de 14 por 9 (em duas medições distintas)
2. Quando usar remédios
- Pré-hipertensão (13 por 8 a 13,9 por 8,9): se em três meses de mudanças no estilo de vida não houver melhora, medicamentos podem ser indicados
- Hipertensão (≥ 14 por 9): em qualquer situação, tratamento medicamentoso é obrigatório
3. Mudanças de estilo de vida recomendadas
- Perder peso (manter IMC entre 18 e 24)
- Reduzir o consumo de sal
- Aumentar a ingestão de potássio
- Praticar atividade física regular
- Seguir a dieta DASH, que é rica em frutas, verduras, laticínios magros, cereais integrais e carnes magras
- Evitar gorduras saturadas, carnes gordurosas, alimentos ultraprocessados, grãos refinados e excesso de açúcar
4. Meta de controle da pressão
- O objetivo é manter a pressão arterial abaixo de 13 por 8 em toda a população, reduzindo os riscos cardiovasculares e renais.
Impacto na saúde pública
Estudos recentes mostram que mesmo valores antes considerados normais já trazem riscos de doenças cardiovasculares. Por isso, a mudança aproxima o Brasil das práticas internacionais e amplia a prevenção.
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o controle da hipertensão é um dos maiores desafios globais: um em cada três adultos tem pressão alta, mas metade desconhece a condição. No Brasil, apesar de 45% da população adulta ser hipertensa, 62% já faz algum tratamento.
As novas regras reforçam a importância de cuidados diários, consultas regulares e mudanças de hábito para evitar complicações como infarto e AVC.






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