A campanha de Fernando Haddad (PT) ao Governo de São Paulo enfrenta dois grandes obstáculos na corrida eleitoral de 2026: o histórico de eleições polarizadas decididas ainda no primeiro turno e a forte presença de partidos de direita no interior paulista, região onde o petista tradicionalmente encontra maior resistência. O levantamento é da Folha de São Paulo.
Desde 1990, o estado acumulou diversas disputas levadas ao segundo turno, mas nos pleitos em que a polarização ficou concentrada entre dois principais candidatos, a definição ocorreu logo na primeira votação. Foi assim em 2006 e 2010, quando as forças lideradas por PSDB e PT dominaram o cenário eleitoral.
Em 2006, José Serra (PSDB) venceu Aloizio Mercadante (PT) no primeiro turno. Os dois concentraram mais de 89% dos votos: Serra terminou eleito com 58%, enquanto Mercadante ficou com 32%. Quatro anos depois, Geraldo Alckmin (PSDB) também encerrou a disputa na primeira etapa, ao conquistar 50,59% dos votos contra 35,21% de Mercadante.
Cenário preocupa
O cenário histórico aumenta a preocupação da campanha petista diante da liderança de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas pesquisas de intenção de voto. O governador aparece à frente na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, enquanto Haddad tenta ampliar sua presença entre eleitores que tradicionalmente votam em candidatos de direita.
O desafio é ainda maior fora da capital. O interior paulista, que concentra grande parte do eleitorado do estado, tem histórico de baixa adesão ao PT e se tornou um dos principais redutos do campo político ligado a Tarcísio e ao bolsonarismo.
Nas eleições de 2022, Haddad venceu na capital paulista, mas perdeu para Tarcísio no interior e no litoral. A dificuldade de penetração nessas regiões é um dos principais pontos da estratégia da campanha petista para 2026.
Força da direita no interior
O mapa político construído após as eleições municipais de 2024 mostra a força das legendas de centro e direita no estado. Partidos como Republicanos, PL, PSD e União Brasil passaram a comandar importantes cidades paulistas, especialmente no interior, criando uma ampla rede de apoio municipal.
Segundo dados eleitorais, partidos de esquerda elegeram 19 prefeitos em São Paulo, enquanto siglas de centro conquistaram 365 prefeituras e legendas de direita ficaram com 259 administrações municipais. A presença de prefeitos é considerada estratégica para campanhas estaduais pela capacidade de mobilização regional.






Deixe um comentário