O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou nesta sexta-feira (20) que o pacote de corte de gastos enviado ao Congresso é apenas a “primeira leva” do ajuste fiscal planejado pelo governo. Segundo ele, as alterações feitas pelos parlamentares nos projetos terão um impacto negativo de R$ 1 bilhão em dois anos, reduzindo a economia prevista inicialmente, que era de R$ 71,9 bilhões até 2026.
“A conta já está feita. Não foi divulgada ainda porque está em aprovação no Senado. Mas estimamos algo em torno de R$ 1 bilhão [de perdas] em dois anos”, afirmou Haddad em um encontro com jornalistas.
Ele defendeu o envio do pacote neste momento, argumentando que a espera por medidas mais robustas poderia prejudicar a confiança dos agentes econômicos. “Estamos chegando ao final do ano. Ou eu mandava agora para aprovar uma primeira leva de ajustes ou eu ia deixar um pacote mais robusto para o ano que vem, o que ia gerar mais incerteza, não menos. Não vou mandar agora porque não está robusto o suficiente? Ia ser um banho de água fria, ia ser o contrário do que as pessoas estão dizendo”, explicou.
“É melhor submeter ao Congresso o que já está pacificado” diz Haddad
Haddad reforçou que o pacote representa um consenso entre o Executivo e o Legislativo e que essa abordagem gradual é mais eficiente. “É melhor já submeter ao Congresso Nacional aquilo que, de alguma maneira, está pacificado entre o Executivo, os ministérios, entre o próprio Legislativo, os deputados e senadores da base, do que esperar até março para ter uma coisa mais robusta, mais vistosa”, disse.
Sobre os efeitos do atual ciclo de alta na taxa básica de juros (Selic), o ministro afirmou que o governo não planeja estímulos fiscais adicionais e que já considera uma desaceleração econômica em 2024. “Não pretendo fazer nenhuma política de estímulo fiscal, não está na nossa ordem de considerações. Acredito que esse ciclo de alta dos juros vai fazer um efeito muito rápido na economia. A nossa projeção de crescimento do ano que vem é 2,5%, está no Orçamento, já é 1 ponto [porcentual] abaixo deste ano. A desaceleração já estava mais ou menos contratada pelo próprio governo”, concluiu.
Com informações do Estado de S.Paulo
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