Haddad afirma ter aval de Lula para sair da Fazenda e trabalhar na campanha à reeleição

Ministro revela em entrevista ao Globo que presidente o deixou livre para decidir seu futuro e afirma querer ajudar na formulação do programa e na articulação eleitoral de 2026.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista ao Globo já ter a concordância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para deixar a pasta e colaborar diretamente com a campanha de reeleição. Segundo ele, a conversa com Lula já ocorreu, e o chefe do Executivo reagiu “de forma muito amigável”, deixando a decisão em aberto.

“A reação dele foi muito amigável. Ele falou: ‘Haddad, você vai colaborar da maneira que você preferir. E qualquer decisão que você tome eu vou respeitar. Mas vamos conversar’”, afirmou o ministro.

Haddad reforçou que não pretende disputar cargos em 2026, mas quer contribuir na formulação do plano de governo: “Tenho a intenção de colaborar com a campanha do presidente Lula. Não quero cargo, quero ajudar no que for designado.”

Relação com Lula e sucessão interna no PT

O ministro afirmou que a eventual saída ainda não tem data definida e afastou a possibilidade de coordenar a campanha. Disse também que já avisou ao PT que não pretende concorrer ao governo de São Paulo ou ao Senado, apesar da insistência do partido.

“Eu não quero coordenar nada. Eu quero me colocar à disposição da campanha. Posso ajudar no plano de governo. Não estou pedindo posição. Vou servir ao que for designado. Sou um servidor público. Está tudo bem para mim”.

Tensões com Congresso e críticas à Faria Lima

Haddad argumenta que o avanço da agenda econômica foi travado pela oposição desde maio, o que teria dificultado entregas do governo. Ele negou ruptura com o Congresso, mas reconheceu desafios na relação, especialmente diante da demora na liberação de emendas e do engessamento do Orçamento.
O ministro também rebateu críticas do mercado financeiro e disse que parte das narrativas negativas é influenciada pelo cenário eleitoral: “Há má vontade em pinçar elementos para compor uma narrativa fantasiosa.”

Juros, Banco Central e heranças da gestão anterior

Questionado sobre a manutenção da Selic no maior nível em quase duas décadas, Haddad reiterou que a taxa está “muito restritiva”, mas disse que a escolha dos novos diretores do BC será técnica. Ele defendeu Gabriel Galípolo e afirmou que o atual presidente do BC “coloca ordem” em problemas deixados pela gestão Roberto Campos Neto.

Correios: rombo e necessidade de reinvenção

Um dos principais alertas feitos pelo ministro foi sobre a situação dos Correios, que acumulam rombo de R$ 10 bilhões. Haddad defendeu uma “reinvenção” da estatal, com ampliação de parcerias — especialmente com bancos públicos — e novos serviços que garantam sustentabilidade diante da forte concorrência privada.
Segundo ele, a reestruturação passa por um empréstimo que permitirá reorganizar a empresa, desde que preservada a universalização do serviço postal.

Segurança, combustíveis e combate ao crime

Haddad também comentou avanços da Receita no enfrentamento a fraudes no setor de combustíveis e às apostas irregulares. Criticou empresas que burlam impostos e defendeu a tributação maior sobre atividades com impacto social negativo, incluindo bets.

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