Haddad deixa Fazenda, mas descarta candidatura: ‘Não está nos meus planos’

Ministro diz que vai focar no apoio à campanha de reeleição de Lula

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que não pretende disputar cargos eletivos nas eleições de 2026. A declaração foi feita em entrevista à jornalista Míriam Leitão, exibida nesta quarta-feira (14) na GloboNews. Haddad, que está de saída do comando da pasta, disse que seu foco estará no apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não está nos meus planos ser candidato em 2026. Nós vamos conversar. Não tenho nenhum problema em conversar com o PT nem com o presidente”, declarou o ministro, ao comentar as especulações sobre possíveis investidas do partido para que ele disputasse eleições no próximo ciclo.

Apoio à reeleição de Lula

Durante a entrevista, Haddad confirmou que pretende se engajar diretamente na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. Segundo ele, sua contribuição ao projeto político do governo não passará por uma candidatura própria, mas por atuação nos bastidores e na articulação eleitoral.

“Eu penso que posso colaborar de outra maneria para sua reeleição, eu pretendo ajudar na campanha. Já me coloquei à disposição do presidente, do PT”, afirmou.

A fala reforça o alinhamento de Haddad com o núcleo político do governo e sinaliza que sua saída da Fazenda não representará um afastamento da agenda do Palácio do Planalto.

Possível saída da Fazenda ainda no início do ano

O ministro também comentou a possibilidade de deixar o comando da Fazenda ainda nos primeiros meses deste ano. Haddad argumentou que a troca no comando da pasta precisa ocorrer de forma planejada, diante da complexidade das tarefas que marcam o início do exercício fiscal.

“Um substituo da Fazenda deveria começar o ano no cargo. A Fazenda tem decreto de execução orçamentária, programação financeira, tem todo um trabalho a ser feito que exige atenção desde o primeiro dia”, explicou.

A declaração reforça a avaliação de que a sucessão no ministério não pode ocorrer de forma abrupta, sob risco de comprometer a condução das políticas fiscais e orçamentárias.

Liquidação do Banco Master

Haddad também falou sobre o processo de liquidação do Banco Master, conduzido pelo Banco Central. O ministro reiterou a gravidade do caso e afirmou que o episódio pode representar um dos maiores escândalos do sistema financeiro nacional.

“O processo de liquidação é muito robusto. Tem muita gente que entende do assunto, inclusive do setor privado, que diz que ela é a maior [fraude bancária do país]“, comentou.

O caso vem sendo acompanhado de perto pelo governo e por órgãos de controle, em meio a investigações sobre possíveis irregularidades financeiras.

Crise nos Correios e socorro do governo

Outro tema abordado foi a crise enfrentada pelos Correios. Haddad destacou que o governo só teve dimensão real da situação financeira da estatal na segunda metade do ano passado, o que levou à adoção de medidas emergenciais, como a garantia de um empréstimo bilionário para assegurar a continuidade dos serviços postais.

“Nós recebemos a radiografia sobre a situação dos Correios na metade do ano passado. As informações que nos chegavam davam conta de uma realidade diferente da que se revelou a partir de julho e agosto do ano passado”, relatou.

Segundo o ministro, a combinação de dificuldades financeiras, modelo de negócios defasado e pressão política por resultados agravou o cenário da empresa.

Sucessão na Fazenda e confiança na equipe

Questionado sobre a sucessão no Ministério da Fazenda, Haddad comentou o nome do secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, apontado como um dos cotados para assumir o cargo. O ministro destacou a confiança na equipe e ressaltou a capacidade de articulação política do auxiliar.

“Ele tem muito trânsito na esplanada. Eu não tenho dúvidas que essa equipe vai perseguir as metas como fizemos nesses três anos. Estamos com uma equipe que sabe que deu certo”, afirmou.

As declarações de Haddad sinalizam uma transição planejada no comando da política econômica e reforçam seu papel como articulador político do governo, mesmo fora do cargo de ministro.

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