Haddad acusa Tarcísio de sabotar PEC da Segurança e apoiar Trump em ataque ao Brasil

Ex-ministro da Fazenda criticou o apoio de Tarcísio à classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos

A disputa pelo comando do estado de São Paulo ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira (1º). Durante entrevista ao programa Frente a Frente, do Canal UOL, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, fez duras críticas ao governador Tarcísio de Freitas, acusando-o de atuar contra iniciativas do governo federal na área da segurança pública e de apoiar posições defendidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

As declarações elevam ainda mais a temperatura da disputa eleitoral que deve colocar os dois políticos frente a frente nas urnas em outubro.

Críticas à PEC da Segurança

Ao comentar a atuação do governador paulista, Haddad afirmou que Tarcísio estaria dificultando o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma das principais apostas do governo federal para ampliar a integração entre União e estados no combate ao crime organizado.

Segundo o petista, a proposta busca aumentar a cooperação institucional e compartilhar informações entre órgãos federais e estaduais, mas enfrenta resistência do governo paulista.

Haddad afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende assumir uma participação mais ativa na coordenação das políticas de segurança pública e classificou como contraditória a oposição do maior estado do país a essa iniciativa.

Ataque sobre relação com os Estados Unidos

Outro ponto do discurso de Haddad foi a crítica ao posicionamento de Tarcísio diante da recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

O ex-ministro afirmou que a medida pode gerar consequências econômicas e institucionais para o Brasil e acusou o governador paulista de apoiar um movimento que, em sua avaliação, prejudica interesses nacionais.

Segundo Haddad, a decisão pode afetar a cooperação entre os dois países e criar impactos sobre instituições financeiras e negócios brasileiros.

Lula teria incentivado candidatura

Durante a entrevista, Haddad também revelou que um dos argumentos apresentados por Lula para incentivá-lo a disputar o governo paulista foi a necessidade de aproximar São Paulo das políticas nacionais.

De acordo com o petista, o presidente avalia que o estado não pode permanecer em confronto permanente com o governo federal, especialmente em áreas consideradas estratégicas para a população.

A declaração reforça o papel que a eleição paulista deverá desempenhar no cenário político nacional de 2026.

Críticas à gestão estadual

Haddad afirmou ainda enxergar insatisfação com a gestão de Tarcísio em diferentes segmentos da sociedade paulista.

Segundo ele, profissionais da segurança pública, da educação e prefeitos teriam críticas à atual administração estadual, embora muitos evitassem manifestá-las publicamente.

As declarações fazem parte da estratégia do petista de ampliar o debate sobre temas estaduais e nacionalizar a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Bolsonaro também entrou no debate

Ao comentar o cenário presidencial, Haddad avaliou que a força eleitoral do campo conservador continua fortemente associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo ele, a marca política construída por Bolsonaro mantém forte fidelidade entre os eleitores e segue sendo um dos principais ativos da direita brasileira.

As declarações de Haddad ocorrem poucas horas depois de Tarcísio criticar duramente o ex-ministro, chamando-o de “melhor ministro da Fazenda da história do Paraguai” ao comentar a política econômica do governo federal.

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