A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o esquema ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro revelou que hackers subordinados ao empresário tentaram acessar o celular do jornalista Lauro Jardim. As informações foram divulgadas pelo programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo.
Segundo a apuração, a tentativa ocorreu em julho do ano passado e teria partido do próprio dono do Banco Master. Vorcaro já havia sido preso em março, após surgirem indícios de que teria planejado um assalto forjado para “prejudicar violentamente” o colunista de O Globo.
- Conversas revelam plano de invasão
As mensagens interceptadas pela PF mostram diálogos entre Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. Mourão era apontado como responsável por coordenar o núcleo tecnológico da organização criminosa, apelidado de “Os Meninos”.
Na conversa, Vorcaro afirma que precisava “hackear” o jornalista. Mourão responde que acionaria os integrantes do grupo para executar o ataque virtual. Em seguida, diz ter entrado em contato com Lauro Jardim pelo WhatsApp.
De acordo com os investigadores, a estratégia seria marcar uma reunião virtual com o jornalista e enviar um link fraudulento, mecanismo que poderia permitir o acesso aos dados armazenados no aparelho celular.
Grupo recebia R$ 75 mil mensais
A PF afirma que o núcleo de hackers era especializado em invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal. Um dos integrantes do grupo, Victor Lima Sedlmaier, foi preso neste sábado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, após ficar foragido desde a última fase da Operação Compliance Zero.
As investigações apontam que os hackers atuavam subordinados a Mourão e recebiam cerca de R$ 75 mil mensais pelos serviços prestados. Além de Sedlmaier, também fariam parte do esquema David Henrique Alves e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos.
Mourão, preso em uma fase anterior da operação, morreu após se suicidar enquanto estava detido.
PF aponta estrutura para intimidar desafetos
Outro braço do esquema era liderado por Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, apontado pela PF como operador financeiro da chamada “Turma”, grupo responsável por ações de intimidação contra desafetos.
Em diálogos divulgados anteriormente, Daniel Vorcaro teria manifestado intenção de agredir Lauro Jardim fisicamente e solicitado monitoramento do jornalista. A PF investiga se a estrutura criminosa foi usada para tentar silenciar profissionais da imprensa.
Em nota, O Globo afirmou repudiar “veementemente” as ações criminosas planejadas contra o colunista e destacou que o caso representa uma ameaça à liberdade de imprensa e à democracia.






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