Governo vai adquirir anti-drones para combater facções criminosas no Rio

O secretário Victor Cesar informou em audiência na Alerj que já estão sendo realizados estudos para a compra dos equipamentos.

A secretaria estadual de Segurança Pública está se preparando para combater as facções criminosas que vêm usando drones como lançadores de granadas em disputas territoriais. Uma das medidas é aquisição de uma série de anti-drones, equipamentos capazes de interromper a conexão com o controle do operador.

A informação foi dada pelo titular da pasta, delegado Victor Cesar, nesta segunda-feira (30/09), durante uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para discutir o tema.

Segundo o secretário, como os criminosos já estão monitorando as atividades policiais por meio de drones, é preciso agir mesmo sem a comprovação de que também fazem uso do equipamento como lançador de granadas. A pasta já está em estudo para definir o aspecto tecnológico do material.

“O estado já está providenciando a compra de ferramentas que possam mitigar a ação dos criminosos. Existem várias ferramentas anti-drones, e estamos analisando a que mais se adequa à nossa necessidade e que traga mais segurança para a população”, disse.

Ações recentes

Em fevereiro deste ano, o equipamento foi usado como lançador de granadas na disputa por território entre milicianos e traficantes na Gardênia Azul, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro.

A Polícia Federal abriu uma investigação sobre o caso. Foi nessa apuração que se descobriu que os drones eram usados para monitorar ações policiais no Complexo da Penha, Zona Norte do Rio.

Há duas semanas, a PF prendeu o cabo da Marinha Rian Maurício Tavares Mota, de 26 anos, suspeito de operar drones lança-granadas do Comando Vermelho. Ele tinha um bunker em sua residência no próprio Complexo da Penha.

ADPF 635

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) n° 635, que restringiu as operações policiais em comunidades do Rio, também foi debatida na audiência. O presidente da Comissão Pública da Alerj, deputado Márcio Gualberto (PL), que organizou o debate, apontou o crescimento do território ocupado por organizações criminosas após a implementação dessa medida, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça.

“Considero que o Rio de Janeiro está sob intervenção de uma decisão do STF que só permite a realização de operações policiais autorizadas pelo Ministério Público, e isso dá uma vantagem para os criminosos. A partir da ADPF 635, nós vimos crescer o número de barricadas em comunidades, de áreas dominadas por criminosos e de disputas territoriais que se estenderam por toda a capital”, argumentou Gualberto.

Por conta disso, a Comissão planeja agendar uma audiência com o ministro do STF Edson Fachin, no sentido de sensibilizá-lo quanto à possibilidade de rever essa questão da ADPF. “Desejamos levar ao ministro números que mostram o aumento da violência nas comunidades após a implementação dessa medida”, acrescentou o parlamentar.

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