Governo Trump confirma possibilidade de sanções dos EUA contra ministro Alexandre de Moraes

Secretário de Estado Marco Rubio sinaliza que ministro do STF pode ser alvo da Lei Magnitsky, enquanto projeto para impedir entrada do ministro nos EUA avança no Congresso americano

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, confirmou nesta quarta-feira (21/5) que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pode ser alvo de sanções aplicadas pelo governo norte-americano. A declaração foi feita durante audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA e divulgada pelo site Metrópoles.

Rubio respondeu a questionamentos do deputado Cory Mills, do Partido Republicano, sobre a possibilidade de o governo Trump sancionar o magistrado brasileiro, acusado por setores da direita brasileira de praticar censura e repressão. “Isso está sob análise neste momento, e há uma grande possibilidade de que isso aconteça”, afirmou o secretário, referindo-se à aplicação da chamada Lei Magnitsky.

Criada em 2012 durante o governo Barack Obama, a Lei Magnitsky é um instrumento legal que permite aos Estados Unidos punir autoridades estrangeiras responsáveis por violações de direitos humanos. Entre as sanções previstas estão o bloqueio de bens e o congelamento de contas bancárias em território americano.

Desde a posse de Donald Trump, a retaliação contra Moraes tem sido um tema recorrente entre parlamentares republicanos com ligações à oposição brasileira. Além da Lei Magnitsky, há também um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Representantes que visa impedir a entrada do ministro do STF nos Estados Unidos. A proposta, que avançou na Casa em fevereiro deste ano, reforça a escalada das tensões diplomáticas envolvendo o magistrado brasileiro.

Pressões internacionais e articulação política

O contexto das possíveis sanções contra Moraes ocorre em meio a um acirramento político no Brasil, que envolve não apenas o próprio ministro do STF, mas também figuras da oposição, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, tem sido um dos principais articuladores junto a congressistas norte-americanos contrários às decisões do ministro.

A atuação de Moraes como relator do inquérito que investiga suposta tentativa de golpe contra o sistema eleitoral brasileiro é um dos principais pontos de contestação entre os grupos alinhados à direita, que acusam o magistrado de abuso de poder e perseguição política.

A movimentação no Congresso dos EUA mostra como as disputas internas brasileiras têm eco internacional e podem impactar a diplomacia entre os dois países. A eventual aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes ou a restrição de sua entrada no país seriam medidas de forte repercussão.

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