Governo Lula cobra YouTube por vídeos de falsos médicos criados com inteligência artificial

AGU deu prazo de 72 horas para plataforma remover conteúdos ou identificar vídeos que simulam profissionais de saúde e divulgam tratamentos sem comprovação

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A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube para que a plataforma tome providências contra vídeos produzidos com inteligência artificial que simulam médicos e outros profissionais de saúde. Os conteúdos apresentam informações falsas e fazem promessas de tratamentos e curas sem respaldo científico.

A notificação foi enviada na sexta-feira (4) e estabeleceu prazo de 72 horas para que o YouTube remova os vídeos ou, conforme o caso, adote medidas de identificação e contextualização. A intenção é deixar claro aos usuários quando o material tiver sido produzido por inteligência artificial generativa.

Segundo a AGU, a iniciativa busca impedir que personagens artificiais sejam utilizados para transmitir uma falsa autoridade médica e dar credibilidade a informações potencialmente prejudiciais à saúde. O órgão afirma que os conteúdos analisados apresentavam promessas terapêuticas sem comprovação científica.

Investigação identificou 97 perfis

A medida foi tomada após informações reunidas pelo programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, que acompanha a circulação de desinformação relacionada à área. Entre janeiro e julho de 2026, foram identificados 97 perfis com conteúdos semelhantes.

De acordo com o Ministério da Saúde, os perfis utilizavam avatares com aparência humana que se apresentavam como médicos ou especialistas. As publicações também recorriam a uma linguagem considerada alarmista para chamar a atenção do público.

A avaliação do governo aponta ainda que parte dos conteúdos tinha como alvo a população idosa, grupo considerado especialmente vulnerável a informações falsas relacionadas a doenças, medicamentos e tratamentos.

Conteúdos podem estimular práticas perigosas

Além de utilizar personagens criados por inteligência artificial para transmitir credibilidade, os perfis também promoviam produtos pagos e apresentavam supostas soluções para problemas de saúde.

O Ministério da Saúde alerta que esse tipo de desinformação pode estimular a automedicação, incentivar terapias sem eficácia comprovada e fazer com que pacientes adiem a procura por atendimento médico.

Outro risco apontado é a interrupção de tratamentos já prescritos por profissionais de saúde. Segundo a pasta, informações falsas podem levar usuários a abandonar cuidados necessários em busca de alternativas divulgadas nas redes sociais.

Informações foram encaminhadas à PF e ao CFM

Além da notificação ao YouTube, a AGU encaminhou as informações à Polícia Federal (PF) e ao Conselho Federal de Medicina (CFM), para que os órgãos avaliem eventuais providências dentro de suas competências.

Procurado pela imprensa, o YouTube informou que não irá comentar a notificação recebida da Advocacia-Geral da União.

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para enfrentar conteúdos considerados ilegais ou prejudiciais disseminados por plataformas digitais.

AGU já notificou outras plataformas

A Advocacia-Geral da União já adotou medidas semelhantes em outros casos envolvendo conteúdos irregulares nas redes. Em uma situação anterior, o órgão notificou o Telegram após identificar grupos e canais que comercializavam ilegalmente comprovantes e passaportes de vacinação falsificados.

Na ocasião, a plataforma removeu os grupos e canais apontados pelas autoridades.

A AGU afirma que as notificações extrajudiciais também estão relacionadas ao entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilidade das plataformas diante de conteúdos ilegais publicados por usuários.

O tema foi analisado pela Corte durante o julgamento relacionado ao Marco Civil da Internet, que discutiu a responsabilidade das empresas de tecnologia pela circulação de conteúdos em seus serviços.

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