Governo Federal gasta 5 bi em emendas em período proibido- 3 meses antes das eleições

Apesar das restrições previstas na legislação eleitoral, o governo federal pagou, entre julho e setembro deste ano, quase R$ 5 bilhões em emendas para deputados federais e senadores. As informações são de Igor Gadelha, no Metrópoles. Segundo dados do painel “siga Brasil”, atualizado pelo Senado Federal, foram liberados exatos R$ 4.919.166.511 no chamado período do…

Apesar das restrições previstas na legislação eleitoral, o governo federal pagou, entre julho e setembro deste ano, quase R$ 5 bilhões em emendas para deputados federais e senadores.

As informações são de Igor Gadelha, no Metrópoles.

Segundo dados do painel “siga Brasil”, atualizado pelo Senado Federal, foram liberados exatos R$ 4.919.166.511 no chamado período do “defeso eleitoral”. O valor inclui diferentes tipos de emendas parlamentares.

O maior montante pago no período, de R$ 2,1 bilhões, é referente a emendas de relator, base do orçamento secreto. Essas emendas não são impositivas e costumam ser liberadas obedecendo a critérios políticos.

Em 2018, antes do surgimento do orçamento secreto, o governo federal pagou um valor bem menor em emendas entre julho e setembro: R$ 637,2 milhões.

“A meu ver, sem dúvida, o motivo principal desse crescimento deve-se ao surgimento das emendas de relator a partir do Orçamento (da União) de 2020 em valores exorbitantes. Em 2018, os valores das emendas de relator eram insignificantes. E também deve ser considerado que o valor individual das emendas, nesse caso, emendas individuais de deputados e senadores, também era inferior ao valor de 2020. Acho que essas são as principais explicações”, avaliou à coluna o economista Gil Castello Branco, secretário-geral da Associação Contas Abertas.

A Lei das Eleições (nº 9.504/1997) prevê que, nos três meses que antecedem o pleito de outubro, são proibidas “transferências voluntárias de recursos da União”, o que inclui as emendas parlamentares.

A exceção são “recursos destinados a cumprir obrigação formal preexistente para execução de obra ou serviço em andamento”. Também é permitido enviar dinheiro para atender a situações de emergência ou calamidade puública.

Em julho deste ano, porém, o Congresso Nacional aprovou uma lei, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, que driblou parte das regras do “defeso eleitoral”.

A lei liberou doações do governo a municípios e entidades privadas nos meses que antecedem o pleito, incluindo as doações financiadas por emendas parlamentares, como é o caso de tratores e máquinas agrícolas.

Logo, os R$ 4,9 bilhões liberados pelo governo entre julho e setembro precisam estar dentro das exceções previstas na Lei das Eleições ou se enquadrarem nas doações permitidas pela lei aprovada em julho pelos parlamentares.

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