A Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES) contratou emergencialmente o laboratório Blessing Análises Clínicas para substituir o PCS Lab Saleme, interditado após um escândalo envolvendo transplantes com órgãos infectados pelo HIV. O contrato de R$ 11,3 milhões, válido por um ano, cobre exames para 13 unidades de saúde do estado, incluindo a Central Estadual de Transplantes (CET).
A troca foi motivada pela falha do PCS em detectar o HIV em órgãos destinados a transplantes, caso revelado em 11 de outubro. Desde então, os testes de HIV para transplantes passaram a ser realizados exclusivamente pelo Hemorio.
Após a interdição do PCS pelo órgão de Vigilância Sanitária, a SES buscou alternativas entre os participantes da licitação vencida anteriormente pelo PCS, mas a segunda empresa classificada declinou da oferta, abrindo espaço para o Blessing. Embora o laboratório assuma a maior parte dos exames, os testes específicos de HIV continuarão sob a responsabilidade do Hemorio.
Blessing já presta serviços para o estado
O Blessing já prestava serviços sem licitação ao estado, acumulando R$ 6,2 milhões em contratos emergenciais desde 2022, especialmente em atendimentos ao Hospital Estadual Azevedo Lima (HEAL) em Niterói. Em situações onde não havia cobertura contratual, pagamentos foram realizados por meio de Termos de Ajuste de Contas (TACs), garantindo remuneração por exames solicitados e realizados por comodato.
Os TACs e contratações emergenciais, práticas que deveriam ser pontuais, têm superado as licitações regulares na Fundação Saúde, responsável pela gestão de unidades de saúde do Rio.
Em abril de 2023, a Fundação assumiu a administração do HEAL, anteriormente gerido por uma Organização Social (OS), e manteve o Blessing e outros prestadores de serviço para assegurar a continuidade dos atendimentos. Alessandra Pereira, diretora administrativa da Fundação, destacou em comunicado a necessidade de continuidade dos serviços durante essa transição.
A Fundação Saúde explicou que a expansão de suas responsabilidades, de 11 para 65 unidades desde 2020, se deu após uma lei estadual extinguir a gestão de saúde por OSs. Com isso, a contratação emergencial de laboratórios como o Blessing foi necessária para evitar interrupções na assistência médica. Recentemente, Marcus Vinicius Dias, até então diretor do HEAL, foi nomeado diretor executivo da Fundação Saúde, substituindo João Ricardo Pilotto, exonerado após a crise dos transplantes com órgãos infectados.
Com informações de O Globo





