Após as atividades do PCS Lab Saleme serem suspensas, com seis pacientes contaminados pelo vírus HIV em transplantes feitos na rede pública do Rio, o Governo do Estado decidiu contratar outra empresa para prestar o serviço.
Será uma contratação emergencial sem licitação para escolher o novo laboratório que fará os mesmos exames que o PCS Saleme fazia nas unidades de saúde estaduais. A Fundação Saúde destacou que a nova empresa vai atender a toda a rede estadual com exceção do serviço de transplantes, que continuará sendo atendido pelo Hemorio.
A contratação foi autorizada na última quinta-feira. O documento foi assinado pela diretora administrativa financeira da Fundação Saúde, que considerou a urgência e os riscos que podem ser gerados pela paralisação dos serviços. Outro contrato, que segue as regras da lei de licitação, está em andamento.
O PCS Lab Saleme tem 55 anos de atuação no estado. A sede fica em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense do Rio, mas o laboratório também fazia coletas e análises dentro de hospitais, institutos e centros estaduais de saúde.
O mesmo prestava serviços para a central de transplantes e para, pelo menos, outras dez unidades administradas pelo Estado. O contrato previa a realização mensal de 73 mil análises clínicas e de anatomia patológica, que incluíam biópsias para identificar câncer, por exemplo. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) reforçou que o PCS Saleme não faz mais nenhum teste para o sistema de saúde do Rio e que não há indícios de falhas em exames feitos em outras unidades.
O alerta de erro do laboratório, que fez testes em doadores de órgãos com resultados errados para HIV, veio no dia 10 de setembro quando uma pessoa que tinha recebido um órgão em janeiro foi levada para o hospital com sintomas neurológicos. Os exames constataram a presença do HIV nesse paciente que não tinha o vírus antes do transplante. Os testes foram feitos no doador pelo laboratório PCS Saleme e tinham dado negativo no dia 23 de janeiro de 2024, mas com a suspeita gerada pelo paciente infectado as amostras foram testadas de novo pelo Hemorio e dessa vez todos os testes deram positivo.
O mesmo aconteceu com os testes feitos em mais um doador, o total de pacientes infectados com HIV depois dos erros chegou a seis até o momento. O exame que atesta que um dos doadores não tem HIV é assinado pela biomédica Jacqueline Iris Bacellar de Assis só que no carimbo dela o número do registro do Conselho Regional de Medicina, número 41250, não condiz com a profissional. O número pertence a outra biomédica que nunca atuou no laboratório PCS Saleme e nem exerce mais a profissão. Júlia Moraes vive no Recife e não tem mais o registro ativo.





