Governo cria grupo de trabalho interministerial para debater redução de impactos na saúde de jogos online

Grupo será responsável pela elaboração de um Plano de Ação de Saúde Mental e Prevenção do Jogo Problemático

O Governo Federal anunciou a criação de um “grupo de trabalho interministerial com foco na saúde mental e na prevenção e redução dos impactos dos jogos na população”. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (9) por meio de uma portaria que reúne os ministérios do Esporte, da Saúde, da Fazenda e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O objetivo principal do grupo é “planejar e implementar ações para prevenir, reduzir danos e oferecer assistência a pessoas em situação de vulnerabilidade ou que apresentem comportamentos característicos do vício em jogos”. O grupo será responsável pela elaboração de um Plano de Ação de Saúde Mental e Prevenção do Jogo Problemático.

Este plano incluirá políticas públicas, medidas educativas e ações de conscientização. Entre as atribuições do grupo estão “propor estratégias regulatórias e administrativas”, “articular ações com entidades públicas e privadas”, “elaborar diretrizes de assistência à saúde mental e prevenção aos problemas associados às apostas” e “monitorar e identificar perfis de risco entre os apostadores”.

O ministro do Esporte, André Fufuca, enfatizou a relevância da medida. “Ela reflete o compromisso do governo com a proteção das pessoas mais vulneráveis e a construção de um ambiente de jogo responsável e seguro. Com foco no bem-estar coletivo e na redução dos danos causados àqueles que podem vir a se viciar em jogos”, afirmou.

Segundo Giovanni Rocco, secretário nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte, “a grande preocupação é preservar a integridade das famílias, proteger as crianças e adolescentes e conscientizar as pessoas de que as apostas esportivas são uma forma de recreação, mas que são um lazer perigoso, pois envolvem o risco de perder dinheiro”.

A Folha mostrou no mês passado que cresceu em sete vezes o número de pessoas que foram atendidas por dependência em apostas na rede pública desde 2020, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS) de ambulatórios de todo o país. O aumento entre mulheres é superior ao identificado entre homens.

Até julho de 2024, foram registrados 464 atendimentos, dos quais elas representaram 256, e os homens, 208. No ano anterior foram 153 atendimentos de mulheres e 164 de homens. Já em 2020 foram atendidas 24 mulheres e 35 homens. Profissionais da área enfrentam dificuldades, especialmente em centros especializados, devido à falta de recursos e infraestrutura adequados.

O levantamento foi feito por meio de dados de aproximadamente 540 mil ambulatórios a partir da base do DataSUS e incluiu dois CIDs (códigos para classificação de doenças): o que considera o vício a própria patologia e o que coloca o vício em apostas como algo secundário, derivado de outro problema, como depressão, por exemplo. A pandemia pode ter represado notificações, mas, mesmo assim, o padrão segue tendência de alta. Dos registros, 95% são considerados casos patológicos.

Houve críticas por parte de profissionais especializados em saúde mental à regulamentação do setor das apostas justamente no trecho referente ao “jogo responsável”, com regras que dependem sobretudo de ações individuais. A legislação entrará em vigor em janeiro.

O Ministério da Fazenda apontou que as “bets”, como são chamadas as empresas de apostas, são obrigadas a ofertar meios de autocontrole aos apostadores. E que o cumprimento das obrigações será monitorado de forma contínua pela Secretaria de Prêmios e Apostas por meio do Sistema de Gestão de Apostas.


Com informações da Folha de S. Paulo.

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