O impacto das plataformas de apostas, as bets, na vida — tanto financeira quanto na saúde — dos cariocas foi tema de uma reunião na Câmara do Rio nesta segunda-feira (8) com representantes das secretarias municipais de Educação e Saúde. A reunião foi convocada pela Comissão Especial das Bets. Durante o encontro, os parlamentares alertaram para aumento de casos de vício e criticaram a falta de fiscalização do setor.
“Hoje, cerca de 200 empresas têm autorização do governo para operar. Quase 6 mil operam na clandestinidade. O desafio é fiscalizar quem não tem credencial. Há uma incapacidade estatal para fiscalização e vigilância”, ressaltou o presidente do colegiado, Salvino Oliveira (PSD). Segundo ele, os casos de vício em jogos tiveram um aumento gigantesco nos últimos anos, com a ascensão das plataformas, desestruturando famílias por causa das dívidas.
O subsecretário de Educação, Hugo Nepomuceno, disse que a secretaria acompanha o fenômeno com preocupação, especialmente entre adolescentes. De acordo com o gestor, os impactos diretos são distrações rotineiras nas salas de aula, desempenho escolar mais baixo e aumento de casos de ansiedade e depressão. “As apostas esportivas vêm com uma roupagem lúdica e o adolescente é suscetível a influências negativas”
Na rede municipal de saúde, o superintendente de Saúde Mental, Hugo Fagundes, informou que já foram registrados 35 casos de vício em jogos neste ano, mas destacou que os números estão aquém da realidade, principalmente por não haver uma estrutura específica para tratar a questão do vício em jogos. “É preciso ampliar a produção de informações, mapear o problema e treinar profissionais para lidar com a situação”, afirmou.
De acordo com os representantes da Educação e da Saúde, entre as ações já em andamento estão programas de prevenção em escolas, campanhas educativas e debates. Para a rede de ensino, o representante da pasta destacou que está em discussão a criação de um grupo de trabalho para buscar formas de criar mecanismos para notificar casos de vício em jogos e outros problemas pertinentes, como o bullying.
Novas reuniões à vista
O relator da comissão, vereador Wagner Tavares (PSB), sugeriu a criação de um canal reservado para atendimento das pessoas afetadas. Segundo ele, muitas pessoas acabam se sentido envergonhadas e acuadas na hora de buscar por ajuda, o que dificulta lidar com o problema.
A comissão deve realizar ainda pelo menos outras cinco reuniões para aprofundar a discussão.






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