O governo brasileiro avalia ter dado uma resposta à altura das “provocações” feitas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por autoridades israelenses e, de acordo com interlocutores do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, a ordem agora é não tomar novas medidas que possam escalar a crise diplomática.
Novas reações, como a possibilidade de expulsão do embaixador de Israel em Brasília, ou ao fechamento da embaixada em Tel Aviv, segundo esses auxiliares de Vieira, seriam adotadas em caso extremo, na hipótese de o país do Oriente Médio tomar novas atitudes hostis. Um integrante do Itamaraty disse, por exemplo, não ser intenção do governo expulsar o embaixador israelense, Daniel Zonshine, mas que uma decisão como essa não depende só do Brasil.
Em entrevista na noite de terça-feira, Vieira chamou as manifestações recentes do governo do premier Benjamin Netanyahu como “inaceitáveis” e “mentirosas”. No mesmo dia, o chanceler israelense, Israel Katz, voltou a cobrar um pedido de desculpas de Lula após o mandatário brasileiro comparar o genocídio que vem sido cometido por Israel em Gaza ao extermínio de judeus por Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Katz disse que Lula “cuspiu na cara dos judeus” e seu ministério publicou em uma rede social que o presidente brasileiro havia negado a existência do Holocausto — ao que o ministro da Secom, Paulo Pimenta, reagiu dizendo que Israel de produz fake news, prática comum na extrema direita, segundo ele.
Após declarações de pessoas próximas a Lula em defesa do presidente, como o assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, fez um pronunciamento considerado forte pelos padrões diplomáticos.
— Uma chancelaria recorrer sistematicamente à distorção de declarações e a mentiras é ofensivo e grave. É uma vergonhosa página da História da diplomacia de Israel, com recurso a linguagem chula e irresponsável — afirmou Vieira.
Blinken e G20
A estratégia do Palácio do Planalto de não tomar novas medidas também está relacionada à tentativa de dar foco na na reunião, nesta manhã, entre Lula e o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken. Além das relações bilaterais, devem ser abordados os conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu, a situação na Venezuela e a crise entre Brasil e Israel.
A diplomacia brasileira decidiu priorizar a reunião de chanceleres do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, que acontece, nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro. O Brasil vai defender a reforma dos organismos internacionais, com ênfase para o Conselho de Segurança da ONU.
Escalada da crise
O impasse diplomático começou no último domingo, com a fala de Lula comparando o atual massacre na Faixa de Gaza com o genocídio cometido por Hitler contra os judeus na Segunda Guerra Mundial. Netanyahu reagiu, chamando a declaração do presidente do Brasil de “vergonhosa”.
No dia seguinte, o embaixador do Brasil em Israel, Frederico Meyer, foi convocado pelo chanceler israelense para uma reunião no Museu do Holocausto. O Itamaraty considerou o encontro uma humilhação e chamou Meyer de volta ao país. O diplomata terá uma conversa com Mauro Vieira no Rio.
O tratamento dado a Meyer levou Mauro Vieira a convocar o embaixador de Israel. O chanceler disse que o que aconteceu em Jerusalém com o diplomata brasileiro foi “inaceitável”.
Com informações do GLOBO.
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