Nicarágua decide expulsar embaixador brasileiro por não ter comparecido à celebração do aniversário da Revolução Sandinista

Governo Lula decidiu congelar as relações por um ano como retaliação à perseguição do governo de Daniel Ortega a padres e bispos. O Brasil exige a libertação de bispos presos no país desde 2022

A Nicarágua determinou nesta quarta-feira (7) a expulsão do embaixador brasileiro, Breno Souza da Costa da capital Manágua, conforme informações da imprensa local. De acordo com uma fonte do Itamaraty, a medida foi tomada após o Brasil não enviar representante para a celebração do aniversário da Revolução Sandinista, que ocorreu em 19 de julho.

Embora o governo brasileiro ainda não tenha confirmado oficialmente a expulsão, a mesma fonte do Itamaraty indicou que as relações entre Brasil e Nicarágua vinham se deteriorando há algumas semanas. Há cerca de uma semana, a embaixada brasileira recebeu uma queixa formal do governo nicaraguense, acompanhada da ameaça de expulsão do embaixador. Foi estabelecido um prazo de 15 dias para que Breno Souza da Costa deixe o país.

O Itamaraty explicou que o embaixador não compareceu ao evento devido ao congelamento das relações diplomáticas entre Brasil e Nicarágua.

O governo Lula decidiu congelar essas relações por um ano como retaliação à perseguição do governo de Daniel Ortega a padres e bispos. O Brasil exige a libertação de bispos presos na Nicarágua desde 2022.

A expulsão de um embaixador é um gesto grave nas relações diplomáticas entre dois países. Segundo o índice V-DEM, que avalia o status das democracias ao redor do mundo, a Nicarágua é classificada como uma autocracia.

Daniel Ortega, reeleito para o quarto mandato em 2021, foi alvo de críticas dos Estados Unidos, que consideram as eleições nem justas nem livres.

Ortega é um ex-guerrilheiro do movimento de esquerda sandinista dos anos 1970. Ele governou a Nicarágua nos anos 1980 após seu partido, a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), derrubar o ditador Anastasio Somoza em 1979, na Revolução Sandinista. Os sandinistas permaneceram no poder até 1990, quando foram derrotados nas eleições presidenciais.

Com 17 anos no poder, Ortega é acusado por críticos de nepotismo e de instaurar uma ditadura. O ex-guerrilheiro defende que seu governo é do povo e protege a soberania da Nicarágua contra os “ataques” dos Estados Unidos.

Com informações do g1.

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