Gonet pede aval a Fachin para apurar possível interferência de Mendonça na PF

Procurador-geral abriu apuração sobre a elaboração de relatório com mensagens de Vorcaro e Moraes e acionou presidente do STF diante da possível participação de ministro da Corte

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, abriu uma investigação para apurar se houve interferência externa na elaboração, pela Polícia Federal (PF), de um relatório que detalhou mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Gonet também pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, autorização para investigar a possível participação do ministro André Mendonça no episódio.

A iniciativa acrescenta um novo capítulo à crise no Supremo provocada pelas investigações relacionadas ao Banco Master. O documento da PF, com 218 páginas, foi produzido após determinação de Mendonça para identificar interlocutores de Vorcaro e reuniu mensagens envolvendo Moraes, além de referências a outras autoridades.

Gonet quer esclarecer origem do relatório

No despacho que determinou a abertura da apuração, Gonet pediu que a autoridade policial explique as circunstâncias em que o documento foi produzido, especialmente diante da suspeita de interferência externa.

“Notifique-se a autoridade policial para esclarecer as circunstâncias em torno da confecção da IPJ-A n. 3298613/2026, notadamente quanto a possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo”, escreveu o procurador-geral.

Gonet sustenta ainda que a Procuradoria-Geral da República (PGR) não foi consultada durante a elaboração do relatório. Segundo ele, isso impediu o órgão de exercer o “necessário controle externo da atividade policial”.

Como a apuração pode envolver um integrante do Supremo, o procurador-geral encaminhou ofício a Fachin. Gonet citou a legislação que exige autorização da Corte para o avanço de investigações envolvendo magistrados.

Documento também menciona o procurador-geral

O relatório que está no centro da controvérsia também contém referências ao próprio Gonet. Segundo o documento, em março de 2025, o advogado Ciro Rocha Soares enviou a Vorcaro uma fotografia em que aparecia ao lado do procurador-geral e, posteriormente, informou que Gonet queria falar com o banqueiro.

O material registra ainda outras mensagens atribuídas ao procurador-geral e referências a uma possível viagem a Londres. Também aparece uma conversa sobre a eventual participação de um filho de Gonet na viagem.

Crise no STF ganha novo capítulo

A iniciativa da PGR ocorre em meio ao agravamento das divergências internas no Supremo. Após a divulgação do relatório, Moraes pediu a Fachin que Mendonça fosse investigado por supostos “indícios de crimes” relacionados à condução de inquéritos sob responsabilidade do ministro, entre eles o caso Master.

Moraes encaminhou ao presidente do STF relatórios de inteligência da PF que, segundo ele, apontariam possíveis irregularidades na atuação de Mendonça, como direcionamento de investigações com objetivos políticos e problemas na condução de delações.

Diante da escalada da crise, Fachin abriu um procedimento para analisar o caso. Agora, caberá ao presidente do Supremo avaliar também o pedido apresentado por Gonet sobre a possível participação de Mendonça na suposta interferência na elaboração do relatório da Polícia Federal.

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