Glória Menezes construiu uma das carreiras mais longevas e importantes da dramaturgia brasileira. Ao longo de mais de seis décadas, a atriz se destacou no teatro, no cinema e na televisão, onde participou de mais de 40 novelas e deu vida a personagens que permanecem na memória do público.
Nascida em 19 de outubro de 1934, em Pelotas (RS), Glória Menezes se mudou para São Paulo com a família aos seis anos. Seu nome de batismo era Nilcedes Soares de Magalhães, formado a partir da combinação dos nomes de seus pais, Nilo e Mercedes.
Do teatro à televisão
Depois de concluir os estudos, Glória ingressou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (USP). Ao lado de colegas, participou da criação do grupo de teatro amador Jovens Independentes.
O primeiro reconhecimento veio em 1959, quando recebeu o prêmio de atriz revelação em um festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho. No mesmo ano, estreou na televisão com a novela “Um Lugar ao Sol”.
Ainda no início da carreira, foi convidada por Antunes Filho para participar da peça “Feiticeiras de Salém”. Foi nos bastidores desse espetáculo que conheceu Tarcísio Meira, com quem construiria uma parceria profissional e pessoal que atravessaria décadas.
Em 1960, Glória participou de “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte. O filme estreou em 1962 e entrou para a história ao conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Parceria com Tarcísio Meira
Em 1963, Glória Menezes e Tarcísio Meira protagonizaram “2-5499 Ocupado”, da TV Excelsior, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. A produção era transmitida ao vivo e marcou também o início do relacionamento entre os dois.

O casal voltou a trabalhar junto em “A Deusa Vencida” (1965) e “Almas de Pedra” (1966). Em 1967, estreou na TV Globo com “Sangue e Areia”, de Janete Clair.
A parceria continuou em diferentes momentos da carreira. Em 1968, os dois protagonizaram novelas distintas, mas a reação do público aos romances vividos pelos personagens fez com que voltassem a atuar juntos em “Rosa Rebelde”, em 1969.
Lara, Diana e Márcia em “Irmãos Coragem”
Um dos trabalhos mais marcantes da carreira de Glória veio em 1970, com “Irmãos Coragem”. Na novela de Janete Clair, a atriz interpretou três personalidades de uma mesma personagem: Lara, uma mulher recatada; Diana, extravagante; e Márcia, equilibrada.
Dois anos depois, Glória protagonizou “Meu Primeiro Baile”, episódio de “Caso Especial” que entrou para a história por ser o primeiro programa integralmente exibido em cores na televisão brasileira.
Na década de 1970, também se destacou em produções como “O Grito” (1975), em que interpretou a mãe de uma criança com problemas mentais, “Espelho Mágico” e “Pai Herói” (1979), novela em que viveu Ana Preta.
Paralelamente à televisão, manteve uma trajetória importante no teatro. Entre os trabalhos de destaque estão “Tudo Bem no Ano Que Vem”, que permaneceu em cartaz por cinco anos, “Navalha na Carne” (1981) e “Um Dia Muito Especial” (1988).
Personagens que marcaram gerações
Nos anos 1980, Glória Menezes continuou a diversificar seus papéis. Em “Guerra dos Sexos” (1983), contracenou novamente com Tarcísio Meira, mas a trama reservou um desfecho inesperado para sua personagem, que terminava ao lado do personagem vivido por Mário Gomes.
Em “Corpo a Corpo” (1984), interpretou a vingativa Tereza. Já em 1988, voltou a dividir a cena com Tarcísio no seriado “Tarcísio & Glória”, no qual viveu a extraterrestre Ava Becker.
A década seguinte trouxe outro papel memorável. Em “Rainha da Sucata” (1990), Glória interpretou Laurinha Figueroa, uma socialite falida. Em “Torre de Babel” (1998), viveu Marta Toledo, uma dona de casa desesperada.
Últimos trabalhos na televisão
Em 2002, Glória apareceu em “O Beijo do Vampiro” como a divertida feiticeira Zoroastra. Dois anos depois, interpretou a Baronesa de Bonsucesso em “Senhora do Destino”, personagem que enfrentava os efeitos do Alzheimer.

A atriz voltou a contracenar com Tarcísio Meira em “Páginas da Vida” (2006) e “A Favorita” (2008). Também participou de “Joia Rara” (2013), “Totalmente Demais” (2015) e do humorístico “Tá no Ar” (2018).
Em 2020, participou da série “Os Casais que Amamos”, do canal Viva, que relembrou alguns dos casais mais marcantes da teledramaturgia brasileira. Ao lado de Tarcísio, falou sobre a relação construída ao longo de décadas.
Os dois foram casados por 59 anos, até a morte de Tarcísio Meira, em 2021. O casal teve um filho, o também ator Tarcísio Filho, e se tornou uma das duplas mais conhecidas da televisão brasileira.
Homenagem no fim da carreira
Em 2025, Glória Menezes foi homenageada pela série “Tributo”, do Globoplay. Na produção, a atriz revisitou a própria trajetória e falou sobre a relação com os personagens que interpretou ao longo da vida.
“Eu sinto que trago um pouco de todas essas personagens, as mulheres todas que representei. Estão todas aqui ainda”, afirmou Glória na série.
Ao longo de mais de 60 anos de carreira, a atriz passou por diferentes fases da dramaturgia brasileira e consolidou uma trajetória marcada pela diversidade de personagens, pelo trabalho no teatro, pelo cinema e por sucessos da televisão.
Principais papéis de Glória Menezes
Cinema
- O Pagador de Promessas (1962) — Rosa, esposa de Zé do Burro. O filme, dirigido por Anselmo Duarte, conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
- Independência ou Morte (1972) — participação no longa histórico dirigido por Carlos Coimbra.
- Se Eu Fosse Você (2006) — participação na comédia dirigida por Daniel Filho.
Televisão
- Um Lugar ao Sol (1959)
- 2-5499 Ocupado (1963)
- A Deusa Vencida (1965)
- Almas de Pedra (1966)
- Sangue e Areia (1967)
- Rosa Rebelde (1969)
- Irmãos Coragem (1970) — Lara, Diana e Márcia
- Meu Primeiro Baile (1972) — Marina
- O Grito (1975)
- Espelho Mágico (1977)
- Pai Herói (1979) — Ana Preta
- Guerra dos Sexos (1983)
- Corpo a Corpo (1984) — Tereza
- Brega & Chique (1987)
- Tarcísio & Glória (1988) — Ava Becker
- Rainha da Sucata (1990) — Laurinha Figueroa
- Torre de Babel (1998) — Marta Toledo
- O Beijo do Vampiro (2002) — Zoroastra
- Senhora do Destino (2004) — Baronesa de Bonsucesso
- Páginas da Vida (2006)
- A Favorita (2008)
- Joia Rara (2013) — participação como monja tibetana
- Totalmente Demais (2015) — Stelinha
- Tá no Ar: a TV na TV (2018)
- Os Casais que Amamos (2020)
- Tributo (2025) — homenagem à carreira da atriz
Teatro
- Devoção à Cruz (1959) — um dos primeiros trabalhos da carreira teatral
- As Feiticeiras de Salém (1960/1961) — Abigail Williams
- Júlio César (1966)
- Linhas Cruzadas (1968)
- Amor a Oito Mãos (1964)
- Tudo Bem no Ano Que Vem (1976–1981) — espetáculo com Tarcísio Meira que permaneceu cinco anos em cartaz
- Navalha na Carne (1981)
- Toma Lá, Dá Cá (1983)
- Um Dia Muito Especial (1988)
- O Duplo (1991)
- E Continua Tudo Bem… (1996) — continuação da parceria teatral com Tarcísio Meira
- Jornada de um Poema (2000) — interpretou uma professora com câncer; para o papel, raspou a cabeça
- Ensina-me a Viver (2008–2016) — espetáculo dirigido por João Falcão
- Ricardo III — montagem dirigida por Jô Soares
- Vagas para Moças de Fino Trato — ao lado de Yoná Magalhães e Renata Sorrah







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