O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, usou suas redes sociais neste domingo (7) para responder às críticas feitas pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante manifestação na avenida Paulista. O ministro afirmou que “o que o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe que, ao longo de sua história, ameaçaram a democracia e a liberdade do povo”.
A publicação foi feita na noite de domingo, horas depois do ato em São Paulo que reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Gilmar reforçou que, no Dia da Independência, era oportuno lembrar que “a verdadeira liberdade não nasce de ataques às instituições, mas do seu fortalecimento”.
No Dia da Independência, é oportuno reiterar que a verdadeira liberdade não nasce de ataques às instituições, mas do seu fortalecimento. Não há no Brasil “ditadura da toga”, tampouco ministros agindo como tiranos. O STF tem cumprido seu papel de guardião da Constituição e do…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 7, 2025
Defesa do papel do STF
No texto, o ministro destacou que o Supremo tem cumprido seu papel constitucional. “Não há no Brasil ‘ditadura da toga’, tampouco ministros agindo como tiranos. O STF tem cumprido seu papel de guardião da Constituição e do Estado de Direito, impedindo retrocessos e preservando as garantias fundamentais”, declarou.
Gilmar também enfatizou que os crimes contra a democracia não podem ser objeto de perdão. “É fundamental que se reafirme: crimes contra o Estado Democrático de Direito são insuscetíveis de perdão! Cabe às instituições puni-los com rigor e garantir que jamais se repitam.”
Críticas ao passado recente
Sem citar nomes, o ministro fez referência à gestão de Jair Bolsonaro, mencionando episódios recentes da história do país. “Milhares de mortos em uma pandemia, vacinas deliberadamente negligenciadas por autoridades, ameaças ao sistema eleitoral e à separação de Poderes, acampamentos diante de quartéis pedindo intervenção militar, tentativa de golpe de Estado com violência e destruição do patrimônio público, além de planos de assassinato contra autoridades da República”, escreveu.
Embora não integre o julgamento da trama golpista, atualmente em análise no Supremo e que tem Bolsonaro como réu, Gilmar poderá eventualmente ser chamado a se manifestar caso recursos sejam levados ao plenário.
O discurso de Tarcísio
Horas antes, na avenida Paulista, Tarcísio de Freitas subiu o tom contra o Supremo. Ele afirmou que “ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como [Alexandre de] Moraes” e disse que o STF julga “um crime que não existiu”. O governador defendeu ainda uma anistia “ampla e irrestrita” e que Bolsonaro seja autorizado a disputar as eleições de 2026.
“Não vamos aceitar a ditadura de um Poder sobre o outro. Chega”, disse em recado ao Supremo. Diante de gritos de “fora, Moraes” da multidão, Tarcísio reforçou: “Por que é que vocês estão gritando isso? Talvez porque ninguém aguente mais. Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes. Ninguém aguenta mais o que está acontecendo neste país.”
Repercussão interna no STF
A fala do governador não passou despercebida dentro da Corte. Um ministro, sob reserva, apresentou à Folha de S. Paulo visão distinta da de Gilmar, afirmando que, em sua avaliação, os poderes da República não estariam ouvindo o que vem das ruas.
Outro ministro, por sua vez, também em condição de anonimato, concordou com o decano e disse que Tarcísio “queima pontes” com o tribunal ao atacar diretamente Alexandre de Moraes. Para esse integrante, a radicalização do discurso tem mais motivação política do que efeito prático sobre a situação do ex-presidente.






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