A gestão do Hospital Federal de Bonsucesso passou oficialmente para o Grupo Hospitalar Conceição. Uma portaria do Ministério da Saúde sobre a transferência da gestão da unidade foi publicada nesta terça-feira (15) no Diário Oficial da União.
Os trabalhadores, que já vinham protestando contra a intervenção nas últimas semanas, montaram um piquete na porta do hospital e afirmavam que não iam permitir a entrada dos novos gestores.
“Nós vamos trabalhar para entregar à população do Rio de Janeiro e ao Sistema Único de Saúde os serviços de qualidade e referência de que a população precisa”, declarou a ministra Nísia Trindade, em entrevista ao Bom Dia Rio.
“Os atuais trabalhadores terão todos os seus direitos respeitados, além da opção de ir para outros equipamentos hospitalares, outros hospitais da rede”, emendou. “O que nós faremos é uma contratação de profissionais de saúde, as reformas estruturais necessárias e uma gestão eficiente, regulada pelo estado.”
“É um grande hospital que será uma referência para o SUS e para o Brasil”, destacou.
Promessas
Na semana passada, foi confirmda a mudança de gestão. A decisão foi divulgada após uma série de denúncias apresentada pelo telejornal RJ2, da emissora Globo, nas últimas semanas.
Na ocasião, o secretário-adjunto de Atenção Especializada à Saúde do ministério, Nilton Pereira Júnior, disse que o Hospital de Bonsucesso abrirá a Emergência até o final do ano, além de 207 leitos que estavam fechados e salas de cirurgia.
Segundo o dirigente, o Grupo Hospitalar Conceição “é uma empresa pública estatal vinculada ao Ministério da Saúde”. “Iniciaremos a contratação de processo seletivo. Serão mais de 2 mil novos trabalhadores, que entrarão no HFB nos próximos 45 dias”, declarou.

Além da mudança de gestão, o governo federal garantiu novos investimentos para o Hospital Federal de Bonsucesso. Com o novo orçamento, a unidade passará por uma reforma na rede elétrica e de tecnologia.
“Vamos integrar tudo num contrato, com reajustes, e colocando inclusive orçamento adicional para contratar e investir. Vamos atualizar o parque tecnológico. Isso o grupo hospitalar tem muita condição de fazer”.
“Vamos colocar recursos para reformar e reabrir leitos, para corrigir problemas graves, como a parte elétrica. Vamos fazer uma grande reforma, tanto na subestação, quanto na rede. Com isso vamos reabrir. Para a UTI, precisamos de energia forte e robusta, e vamos fazer nos primeiros dias”, comentou.
Segundo o Ministério da Saúde, os trabalhadores temporários terão seus contratos prorrogados e os concursados terão os direitos preservados, podendo escolher se continuam no hospital ou se preferem atuar em outra unidade federal.
“Para os servidores do Bonsucesso, quero dizer o que já disse: todos os direitos serão preservados, não mudarão regime, não trabalharão a mais do que o que está no contrato. Eles terão direito de escolha garantido”, disse Nilton.
Incêndio e precarização
Em 2020, problemas na parte elétrica do hospital provocaram um incêndio na unidade. Desde então, o Hospital Federal de Bonsucesso funciona de forma parcial.
O telejornal RJ2 mostrou que parte dos servidores avalia que a situação piorou nos últimos meses. Segundo essas críticas, essa foi uma estratégia do Governo Federal para implantar a mudança no modelo de gestão.
O secretário do Ministério da Saúde disse que a crítica dos trabalhadores não corresponde com a realidade.
“O nosso problema não é o servidor que tá lá. Ele é qualificado e dedicado. Mas temos um déficit de 6 mil na rede toda. Aumentamos o orçamento. Se comparar 2022 e 23, teve aumento, fizemos contratações temporárias, abrimos 300 leitos em 2023”, ponderou Nilton.
Conflito de interesses
No dia 9, o RJ2 mostrou que o atual secretário de atenção especializada do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, ocupa também a cadeira de presidente do conselho de administração do Grupo Conceição.
Nilton Pereira Junior disse que não há qualquer conflito entre as funções de Adriano.
“Tem decisão recente do STF, que não tem problema. A lei das estatais é clara. O membro não pode ser diretor-executivo (…) É importante ter membros do governo, é o ministério de onde, que define. Por isso é coerente, que secretários sejam presidentes ou membros do conselho. O que não é recomendado é o conselho fiscal. Essas empresas são fiscalizadas”, analisou.
Com informações do g1.





