Aos 62 anos, Carmelina Alves Albino vive uma nova maternidade. Moradora de Itapetininga, no interior de São Paulo, ela está grávida de três meses da sexta filha, fruto de uma fertilização in vitro (FIV). A história foi contada por O Globo e pelo portal G1.
Ao lado do marido, Jefferson Albino, ela já é mãe de cinco filhos, com idades entre 22 e 42 anos, e avó de nove netos, mas decidiu retomar o sonho da maternidade após, segundo o casal, receber uma revelação divina durante um culto.
“Foi uma promessa de Deus. Estávamos na igreja e o pastor foi usado por Deus para entregar a revelação de que a Miriã estava chegando pra nós. A Carmelina nem estava grávida, mas foi algo bem marcante, bem concreto. A revelação foi de dois filhos, Miriã e Moisés. Creio que futuramente venha o menino”, contou Jefferson.
Carmelina e Jefferson estão casados há quase 30 anos e afirmam que vivem esse momento com emoção e gratidão. “Estamos super emocionados por ver que está dando tudo certo. Passamos por lutas, mas, graças a Deus, tudo isso é compensador. Todos nós, ela, os filhos, estamos ansiosos para conhecer a irmãzinha”, disse ele.
A previsão é de que Miriã nasça em novembro, mês em que Carmelina completará 63 anos. A gestante afirma estar tranquila quanto à idade: “Não tive nenhuma preocupação quanto à idade e estou preparada fisicamente, psicologicamente e emocionalmente para essa maravilhosa gestação. Os cuidados são os normais de uma gestante, mas sem me esforçar muito”, relatou.
Fertilização in vitro e o acompanhamento médico
O procedimento de FIV foi realizado em uma clínica de reprodução humana em Sorocaba (SP), comandada pelo médico Lister Salgueiro, que acompanha o caso de Carmelina desde o início. Ele explica que o processo simula o ciclo reprodutivo natural da mulher, com o bloqueio hormonal seguido da indução à ovulação. Os óvulos coletados são então fecundados em laboratório e, após avaliação dos embriões, os mais viáveis são transferidos para o útero.
“Aqui no Brasil, oficialmente, a gestante mais velha tinha 65 anos, mas ela [Carmelina] está entre as três com maior idade que engravidaram”, afirmou o especialista.
Segundo o médico, Carmelina iniciou o tratamento em 2019 e teve embriões congelados após a primeira tentativa sem sucesso. A gravidez só aconteceu na segunda tentativa. “Ela parece pelo menos uns 10, 15 anos mais nova, tem uma boa estrutura”, avaliou.
Cuidados e riscos em gestações tardias
Lister Salgueiro destaca que, apesar da idade, Carmelina está em boas condições de saúde, o que foi decisivo para o sucesso da gravidez. “Orientamos que ela mantenha uma rotina rigorosa de controle: anotar diariamente peso, pressão arterial e glicemia, além de fazer um acompanhamento nutricional e exames frequentes”, explicou.
Gravidezes em idades avançadas podem apresentar riscos adicionais, como diabetes gestacional, hipertensão e maior chance de alterações genéticas como a Síndrome de Down. No entanto, esses riscos são significativamente reduzidos quando os óvulos utilizados na FIV são de doadoras jovens — como é o caso de Carmelina.
Legislação e realidade brasileira
No Brasil, não há limite legal de idade para realizar o procedimento de FIV. No entanto, a paciente deve ser clinicamente saudável e ter um útero em boas condições. “A legislação brasileira determina que a mulher não pode apresentar doenças pré-existentes, como diabetes ou hipertensão. Ela precisa estar em perfeitas condições de saúde”, detalhou o médico.
A clínica de Sorocaba onde Carmelina foi atendida revela que 60% das pacientes que buscam a fertilização in vitro estão entre 40 e 43 anos. A tendência de postergar a maternidade tem crescido, impulsionada por questões pessoais, profissionais e pela confiança crescente nos avanços da medicina reprodutiva.
Agora, Carmelina e Jefferson aguardam com esperança e fé a chegada de Miriã — símbolo de uma nova fase na vida da família Albino.





