George Santos, ex-deputado republicano dos Estados Unidos e filho de imigrantes brasileiros, foi condenado nesta sexta-feira a sete anos de prisão. Santos, de 36 anos, se declarou culpado de acusações que incluem fraude eletrônica e roubo de identidade qualificado. Ele também admitiu sua participação em uma série de outros esquemas fraudulentos, como lavagem de dinheiro, mentiras ao Congresso e o recebimento ilegal de benefícios de desemprego.
Como informa O Globo, a sentença foi proferida pela juíza Joanna Seybert, que atendeu ao pedido dos promotores federais, que recomendaram uma pena de 87 meses de prisão para proteger o público de novos enganos por parte do ex-deputado.
Os advogados de Santos tentaram diminuir a pena, pedindo que ele cumprisse uma sentença mínima de 24 meses, argumentando que sua conduta foi motivada por um “desespero equivocado” relacionado à sua carreira política, e não por malícia. Contudo, os promotores, por sua vez, retrataram Santos como um vigarista impenitente que se manteve no caminho criminoso, tornando-se cada vez mais audacioso ao longo dos anos. “Suas ações falam mais alto do que quaisquer palavras, e clamam por uma sentença significativa de prisão neste caso”, escreveram os promotores em um memorando.
Santos, que inicialmente se projetou como uma promessa do Partido Republicano, foi um dos políticos mais controversos da última década nos EUA. Seu mandato foi marcado por uma série de mentiras, que incluíam invenções sobre sua educação, experiência profissional e até mesmo sobre sua origem familiar, quando afirmou ser descendente de judeus sobreviventes do Holocausto. Sua carreira política chegou ao fim após uma investigação jornalística expor essas falácias. O The New York Times revelou que Santos havia roubado dinheiro de doadores para financiar sua própria conta pessoal, incluindo compras de luxo e até tratamentos estéticos, como Botox.
Em dezembro de 2023, Santos foi expulso do Congresso dos EUA
Em meio ao processo judicial, Santos se manteve em uma postura de confiança e humor autodepreciativo, mas, ao mesmo tempo, tentou capitalizar sua notoriedade. Em dezembro de 2023, ele lançou o podcast “Pants on Fire” (“Calças em Chamas”), uma alusão irônica às mentiras que contara durante sua campanha e no exercício de seu cargo. No entanto, a acusação federal o retratou como um exemplo de falta de arrependimento, especialmente devido a suas postagens nas redes sociais, onde se retratou como vítima de perseguição judicial.
O ex-deputado também enfrentou pressão de seus colegas republicanos para renunciar ao cargo após o Comitê de Ética da Câmara dos Representantes concluir que ele havia desviado centenas de milhares de dólares de sua campanha. Em dezembro de 2023, ele foi expulso do Congresso, tornando-se o sexto congressista na história dos EUA a ser removido por conduta imprópria.
Santos, que também é conhecido por seu apoio ao ex-presidente Donald Trump, afirmou em uma entrevista recente que não pediria clemência a Trump. “O presidente sabe da minha situação. Se achar que eu mereço algum nível de clemência, ele pode concedê-la, mas pedir um perdão seria negar responsabilidade”, disse ele.




