A Petrobras anunciou um novo reajuste nos preços dos combustíveis nesta segunda-feira (25). A gasolina vai subir 7% nas refinarias e o diesel, 9%. Os novos valores já valem a partir desta terça-feira (26) e, com eles, a gasolina já acumula alta de 73% no ano e o diesel, de 65,3%. As altas devem ter reflexos nos preços do frete, pressionando ainda mais a inflação.
Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro vinha anunciando que haveria novos aumentos. No domingo, ele voltou a falar isso e disse que, diante nos preços maiores do petróleo, não tinha como intervir na Petrobras.
“Eu não tenho como interferir na Petrobras. Tenho falado com Guedes sobre o que vamos fazer com ela no futuro. A gente não vai interferir no preço de nada. Infelizmente pelos números do petróleo lá fora, infelizmente, nós teremos reajuste no combustível”, disse Bolsonaro em entrevista coletiva ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, no domingo.
E em vez de rediscutir a política de preços dos combustíveis, o presidente decidiu bagunçar de vez a situação, autorizando o ministro Paulo Guedes a anunciar a privatização, e provável desnacionalização da Petrobras, assim que for possível.
Em manifestação pública, a AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) atacou Bolsonaro e defendeu a integridade da companhia:
Incapaz de usar o direito de sócio majoritário, fazendo a diretoria da Petrobrás rever a nefasta política de Preço de Paridade de Importação (PPI), o governo Bolsonaro ameaça, pela segunda vez em uma semana, a possibilidade de privatização da petroleira, um tema que sempre esteve nos planos do ministro da Economia, Paulo Guedes.
Segundo informações da CNN Brasil, o Governo planeja apresentar projeto de lei que permite que a União venda ações ordinárias e preferenciais da Petrobrás, abrindo mão de ser a acionista majoritária da companhia.
Já a agência Reuters relatou que Bolsonaro disse que a privatização da Petrobrás “entrou no radar”, em entrevista a uma rádio do Mato Grosso do Sul:
“Isso entrou no nosso radar. Mas privatizar qualquer empresa não é como alguns pensam, que é pegar a empresa botar na prateleira e amanhã quem der mais leva embora. É uma complicação enorme. Ainda mais quando se fala em combustível. Se você tirar do monopólio do Estado, que existe, e botar no monopólio de uma pessoa particular, fica a mesma coisa ou talvez até pior”, disse Bolsonaro à rádio Caçula, de Três Lagoas (MS).
Bolsonaro se esqueceu de dizer que não existe mais monopólio da Petrobrás tanto na exploração como no refino dos combustíveis. E que o PPI é uma política deliberada para favorecer os importadores de combustíveis, com a diretoria da Petrobrás atuando como facilitadora, reduzindo a produtividade de suas refinarias e as colocando à venda.






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