Depois de Madonna e Lady Gaga, chegou a vez da colombiana Shakira se apresentar na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio. Há poucos dias do megashow, a mocidade carioca mal pode esperar para se aliar à expressão latino-americano da artista, na noite do dia 2 de maio. Em mais uma edição do programa cultural “Todo Mundo no Rio”, a movimentação já aquece o setor comercial e turístico da cidade. 

O evento, segundo especialistas ouvidos pela Agenda do Poder, exalta o Rio como produto de desejo e consumo na rota turística internacional, através dos efeitos econômicos provocados no longo prazo. Por isso mesmo, as lojas de vestuário e artigos da cultura pop, assim como supermercados e a rede hoteleira, já descobriram como se adaptar à nova demanda do calendário carioca.

É o que se vê nas ruas da Alfândega e Senhor dos Passos, as principais vias da Saara, principal centro comercial da região central do Rio. Ali, diversos artigos anunciam que a cantora está prestes a aterrissar em solo brasileiro. Os preparativos começaram há um mês, segundo os lojistas, tempo suficiente para garantir os principais itens mais procurados pelo público.

Lenços vendidos na Rua dos Passos, no Saara, polo comercial no Centro do Rio | Crédito: Sofia Miranda / Agenda do Poder

“Las Mujeres Ya No Lloran”

Shakira vem ao Brasil contemplando a turnê “Las Mujeres Ya No Lloran”. Por isso, os produtos encontrados remetem à aura libertária e sensual do novo álbum. Para Allef Rodrigues, de 26 anos, gerente da Lili Rock, a expectativa é de que o movimento seja tão intenso quanto o registrado no show da edição anterior.

“Todo ano a gente tá nessa pegada. Já tivemos presentes aí em Madonna, tivemos presentes na Lady Gaga, e agora com a Shakira a gente não poderia ficar de fora. Estamos com vários acessórios, não é só camisa. Temos chapéu, ecobags e acessórios que ela usa na roupa dela também”, descreve o gerente.

Entre os produtos disponíveis, as camisetas lideram as vendas, impulsionadas tanto pelo valor, quanto pela produção própria, especialidade da casa.

Segundo o gerente Allef Rodrigues, produtos começaram a ser adquiridos com um mês de antecedência | Crédito: Manuela Carvalho / Agenda do Poder

“As camisas estão saindo mais. A gente tem muitos acessórios, tem botton, faixa pra cabeça, mas o que mais procuram mesmo são as camisas, porque é o nosso forte também, já que a produção é nossa. A gente se preparou um mês antes”, conta, animado.

O megashow já ganhou até apelido dos fãs: Lobacabana, em referência ao lobo, símbolo da cantora. 

Lobacabana

Moradora de Jacarepaguá, Dayana dos Santos, de 30 anos, é uma dessas fãs cuja trajetória afetiva com o artista atravessa anos. No caso dela, desde pequena. Por isso, quando descobriu que a cantora viria à cidade, ainda no início do mês, tratou logo de pensar em todos os detalhes.

“A expectativa é a maior possível. Eu estou muito animada, eu amo desde pequena, ela é maravilhosa! Eu já tava esperando, então quando confirmaram eu pensei: ‘Meu Deus! eu tenho que pensar em um monte de coisa’, já comecei a me planejar”, antecipa a fã.

Dayana irá ao show acompanhada da família | Crédito: Manuela Carvalho / Agenda do Poder

Na segunda-feira (20), ela se juntou ao movimento intenso do Saara, em busca das peças para compor o visual. Nessa fase, a construção do look aparece apenas como uma extensão da experiência. “Eu vou com a minha família toda. Porque todo mundo é fã e aí vai todo mundo junto. Vai ser uma bagunça!”, diz, animada.

Na outra ponta, os vendedores também utilizam artifícios para chamar atenção da clientela e garantir as vendas no período pré-show. Para Yasmim Pereira, de 24 anos, vale tudo para entrar na brincadeira. Vendedora da Loja Lix, que vende artigos da cultura pop, ela chegou a nomear uma das peças como Shakidólar.

A peça e o nome remetem à canção “Las mujeres ya no lloran“, que diz em seu trecho: “As mulheres não choram mais, as mulheres faturam”. 

“Estamos vendendo bastante online, até mais que no físico, mas da mesma forma os clientes vêm, entram, olham. E a peça que tá fazendo mais sucesso na loja é Shakidólar. O leque do dólar, que é uma peça que bombou mesmo, todo mundo vem atrás. Então a gente adotou esse nome.”

Yasmim Pereira e o leque “Shakidólar” | Crédito: Sofia Miranda /Agenda do Poder

Valores

Nas araras e prateleiras, os preços variam conforme o nível de produção e personalização. Bottons podem ser encontrados por R$ 15, enquanto ecobags com ilustrações da artista vão de R$ 10 a R$ 20.

As camisetas, principal aposta dos lojistas, podem ser encontradas por R$ 20, R$ 40, R$ 60, R$ 70 e R$ 100, a depender do tecido e da estampa. Os modelos incluem bodys, croppeds, blusa lenço e T-shirts.

Já os leques, item que ganhou protagonismo entre os fãs para vencer o calor, chegam a custar entre R$ 69 e R$ 99, sendo os mais elaborados. Há ainda faixas de cabelo a R$ 10, além de correntes, óculos, bandeiras e outros acessórios.

O consumo aquecido é um dos efeitos mais imediatos provocados pelo show, segundo o economista Gilberto Braga, do Ibmec-RJ. Segundo ele, a realização de eventos desse porte ativa uma cadeia extensa que vai além do entretenimento, e alcança setores como turismo, transporte e alimentação.

“O show internacional da Shakira vai movimentar a cidade do Rio de Janeiro, sua economia e os seus setores mais fortes, que são entretenimento e turismo. Além disso, há todo um comércio que envolve itens alusivos ao evento, como roupas, leques, lembranças, e isso aquece também esses setores que se preparam especificamente para o ‘Todo Mundo no Rio”‘, afirma.

Embarques

De acordo com um levantamento realizado pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) na quarta-feira (22) e obtido pela Agenda do Poder, 13.450 passagens aéreas já foram reservadas por turistas internacionais para a semana da exibição do show da Shakira. 

O fluxo deve chegar ao Brasil no período entre os dias 26 de abril e 2 de maio. Ainda segundo a Embratur, o número de bilhetes é 60,38% maior que os 8.758 para o show da Madonna entre 28 de abril e 4 de maio. Além disso, o valor quase iguala o número de bilhetes do show da Lady Gaga, em 2025, quando o número de bilhetes aéreos era de 14.046.  De acordo com o órgão, os cinco países emissores são:

Países Bilhetes aéreos
Argentina 5.016
Estados Unidos1.380
Uruguai934
Chile822
Colômbia 561

Esse aumento na chegada de visitantes também acontece nos modais terrestres. Segundo uma estimativa da Rodoviária do Rio, a capital deve receber cerca de 215 mil passageiros durante o período do evento, vindos de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Brasília. O movimento também é turbinado pelo Dia do Trabalho, em 1º de maio.

Lojas do Saara em clima de Lobacabana, apelido dado pelos fãs ao megashow | Crédito: Sofia Miranda/ Agenda do Poder

Já o Aeroporto Internacional do Galeão projeta receber cerca de 314 mil passageiros entre os dias 30 de abril e 5 de maio, período impulsionado pelo show da cantora. Do total estimado, aproximadamente 213 mil viajantes devem circular em voos domésticos, enquanto outros 101 mil virão em rotas internacionais.

A concessionária responsável pelo aeroporto prevê ainda a operação de cerca de 1,9 mil voos no período, o que representa um aumento de 13% em relação a 2025 e de 32% na comparação com 2024. Entre os destinos nacionais com maior fluxo de embarque e desembarque estão cidades como São Paulo, Porto Alegre, Vitória, Salvador e Curitiba.

“Então você movimenta carros por aplicativo, taxistas. As pessoas que vêm não costumam, até por ser uma questão de feriados, ficar restritas ao evento. Então existe uma grande parte dos frequentadores que engata com outras atrações da cidade. Unem o útil ao agradável e isso faz com que essa movimentação seja permanente”, destaca Braga.

No setor de consumo, um levantamento da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) aponta crescimento de até 30% no faturamento de supermercados nas regiões de Copacabana e Leme ao longo da semana do show.

Segundo a pesquisa, a alta é impulsionada, principalmente, pela venda de bebidas e alimentos prontos, adquiridos por consumidores que buscam praticidade antes de seguir para a praia.

Rio ganha know-how dos megaeventos

Para além do consumo, o show exalta o Rio como um produto de desejo e consumo universal. Isso porque o próprio nome do evento, “Todo Mundo no Rio”, contribui para projetar a cidade como vetor de atração turística. Isso cria um efeito que se estende para além do calendário cultural, segundo o economista. 

Camisas variam de R$ 40 a R$ 100 | Crédito: Sofia Miranda / Agenda do Poder

“Uma outra questão que tem é que esse tipo de show, pela projeção que tem, vende a imagem do Rio de Janeiro para o mundo inteiro. Então, você tem um atrativo de exibição de marca do Rio e isso, ainda que não tenha um retorno imediato, cria um desejo e gera uma demanda futura de turismo e de conhecimento para o Rio de Janeiro e para o Brasil de uma forma geral.”

Gilberto Braga, economista do Ibmec-RJ

Ainda segundo o economista, o histórico recente de shows demonstra que o Rio passou a dominar a logística necessária para receber multidões em espaços abertos. 

 “O fato desses eventos terem sido bem-sucedidos em termos de organização, com acessos, fluxo e segurança, mostra que o Rio de Janeiro ganhou um know-how (saber como) de fazer isso com sucesso. Hoje, além do Carnaval, o mês de maio já se consolida com o ‘Todo Mundo no Rio’ como um evento recorrente”, diz.

Hóspedes da América Latina, Europa e EUA

Conforme dados levantados pelo aplicativo de hospedagem Airbnb, há aumento na busca por acomodações no Rio para o período do show, com hóspedes vindos de diferentes regiões do Brasil, da América Latina e também da Europa e dos Estados Unidos.

Entre os brasileiros, as principais origens são São Paulo, Belo Horizonte, Campinas, Curitiba e Brasília. Já no cenário internacional, destacam-se cidades como Santiago, Buenos Aires, Montevidéu, Lima e Bogotá, além de Paris, Londres e Nova York.

Segundo a plataforma, há também uma mudança no padrão de permanência. Hóspedes internacionais tendem a ficar mais tempo na cidade, com média de estadia superior ao dobro da registrada entre brasileiros.

Leques está entre um dos itens mais visados pela clientela para o show | Crédito: Sofia Miranda/ Agenda do Poder

Estrutura para multidões

Para dar conta da dimensão esperada, a estrutura montada em Copacabana também cresceu neste ano. O palco terá cerca de 1.500 metros quadrados, superior ao de Lady Gaga, que tinha 1.260 m², e ao de Madonna, com 812 m².

Além disso, a estrutura contará com 680 m² de painéis de LED, além de uma passarela que avança 25 metros em direção à areia, para aproximar a artista do público.

Ao longo da praia, 16 torres de som e vídeo serão instaladas para ampliar a visibilidade, enquanto os telões, com cerca de 45 m² cada, ajudam a distribuir a experiência para além da área central.

A expectativa é de cerca de 2,5 milhões de pessoas que devem acompanhar o show na praia. O show de Shakira acontecerá no dia 2 de maio, com início previsto para 21h45.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

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