Galípolo é eleito para comandar comitê das economias emergentes do BIS, referência global dos bancos centrais

Presidente do BC brasileiro assumirá liderança de grupo estratégico do “Banco Central dos Bancos Centrais” em meio ao debate global sobre juros, inflação e estabilidade financeira

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, foi eleito para comandar o comitê das principais economias emergentes do Banco de Compensações Internacionais (BIS), instituição considerada uma das mais influentes na coordenação entre bancos centrais ao redor do mundo.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (12) pelo próprio BIS, sediado em Basileia, na Suíça.

Conhecido internacionalmente como o “Banco Central dos Bancos Centrais”, o BIS atua como uma das principais referências globais em discussões sobre estabilidade financeira, política monetária e regulamentação bancária internacional. A instituição também é responsável pela formulação dos acordos de Basileia 1, 2 e 3, que servem de base para normas do sistema financeiro mundial.

A escolha de Galípolo ocorreu durante reuniões realizadas no fim de semana entre representantes das economias integrantes do grupo.

O brasileiro assumirá oficialmente o cargo em 1º de setembro e terá mandato de dois anos. Ele substituirá Eddie Yue, diretor-executivo da Autoridade Monetária de Hong Kong.

Brasil amplia presença em fóruns internacionais

A eleição de Galípolo é vista como um movimento que amplia o espaço do Brasil em organismos internacionais ligados à política monetária e à regulação financeira.

O comitê liderado pelo presidente do Banco Central reúne autoridades monetárias de economias emergentes e funciona como um fórum estratégico para discussão de riscos macroeconômicos, estabilidade financeira e desafios globais para os mercados.

Entre os países participantes estão China, Índia, México, Argentina, Chile, Indonésia, Malásia, África do Sul, Turquia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Vietnã, Coreia do Sul, Filipinas, Tailândia, Colômbia e Cingapura.

A eleição ocorre em um momento de forte debate internacional sobre inflação persistente, taxas de juros elevadas e desaceleração do crescimento econômico em diversas regiões do mundo.

Nos bastidores do mercado financeiro, a escolha de Galípolo é interpretada como um reconhecimento do peso crescente do Brasil nas discussões sobre política monetária entre países emergentes.

BIS tem papel central na regulação financeira global

O Banco de Compensações Internacionais foi criado em 1930 e desempenha papel estratégico na articulação entre bancos centrais e autoridades financeiras.

Além de servir como espaço de cooperação internacional, a instituição produz estudos econômicos e estabelece diretrizes que influenciam sistemas bancários em diferentes países.

Os chamados acordos de Basileia, formulados no âmbito do BIS, definem padrões internacionais de capitalização bancária, gestão de risco e supervisão financeira.

As decisões e recomendações debatidas no banco costumam impactar diretamente políticas econômicas e estruturas regulatórias adotadas pelos bancos centrais ao redor do planeta.

A liderança do comitê de economias emergentes coloca Galípolo em posição de destaque nas discussões globais sobre estabilidade financeira e fluxo internacional de capitais.

Mudanças no comando do BIS

No mesmo comunicado divulgado nesta terça-feira, o Conselho de Administração do BIS confirmou outras mudanças importantes na estrutura da instituição.

O presidente do Banco da Itália, Fabio Panetta, foi escolhido para assumir a presidência do BIS pelos próximos três anos.

Ele tomará posse em 3 de junho e substituirá François Villeroy de Galhau, atual presidente do Banco da França.

Também foram anunciadas alterações em outros fóruns estratégicos da instituição.

Michele Bullock, presidente do Banco Central da Austrália, foi indicada para liderar o Conselho Consultivo Asiático do BIS, responsável pela coordenação entre bancos centrais da região Ásia-Pacífico.

Ela sucederá Nguyen Thi Hong, dirigente do Banco Estatal do Vietnã.

Já Kazuo Ueda, presidente do Banco do Japão, assumirá o comando do Comitê sobre o Sistema Financeiro Global.

O grupo monitora riscos no setor financeiro internacional e avalia impactos econômicos relacionados à estabilidade monetária global.

Galípolo ganha protagonismo internacional

A eleição reforça a projeção internacional de Gabriel Galípolo poucos meses após sua chegada à presidência do Banco Central brasileiro.

Economista e ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Galípolo assumiu o comando da autoridade monetária em um cenário de forte atenção do mercado sobre juros, inflação e política monetária no Brasil.

Agora, à frente do comitê das economias emergentes do BIS, ele passará a atuar diretamente nas articulações envolvendo bancos centrais de países que enfrentam desafios semelhantes ligados a inflação, crescimento, câmbio e estabilidade financeira.

A expectativa é que o brasileiro tenha participação ativa nos debates sobre coordenação monetária internacional e impactos econômicos das decisões tomadas pelas grandes economias globais.

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