Funerais foram realizados nesta terça-feira (3/3) na cidade de Minab, no sul do Irã, para estudantes e funcionários mortos após um ataque que atingiu uma escola de meninas no último sábado (28/2). O governo iraniano classificou a ofensiva como um “ataque conjunto” dos Estados Unidos e de Israel.
Segundo autoridades locais, mais de 160 pessoas morreram depois que o prédio escolar foi atingido durante uma série de bombardeios que, de acordo com Teerã, tinham como alvo estruturas militares e lideranças do país. A BBC News informou que não conseguiu verificar de forma independente o número de mortos divulgado pelo governo iraniano.
A escola ficava a cerca de 600 metros de uma base da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). O Exército dos Estados Unidos declarou que está apurando os relatos, enquanto o governo israelense afirmou não ter conhecimento de operações na área no momento do ataque.
Como foram os funerais em Minab
Milhares de pessoas ocuparam as ruas de Minab para prestar homenagens às vítimas. Imagens transmitidas pela TV estatal iraniana mostraram caixões cobertos com a bandeira da República Islâmica sendo carregados em meio à multidão. Imagens das covas para enterro das jovens comoveram o mundo.
Familiares, muitos deles aos prantos, seguravam fotos das crianças mortas. Em alguns momentos, narrações relembravam a dor de pais e mães que perderam suas filhas no ataque. Vídeos divulgados nas redes sociais também mostraram caminhões transportando caixões enquanto a população acompanhava em silêncio ou gritava palavras de luto e revolta.
Autoridades iranianas afirmam que três mísseis atingiram a escola na manhã de sábado. Como no Irã a semana útil vai de sábado a quinta-feira — sendo a sexta-feira o único dia oficial de descanso — há indicação de que a unidade estava em funcionamento no momento da explosão.
Acusações, reações e investigação internacional
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou o episódio como um “ato bárbaro” e afirmou que se trata de “mais um capítulo sombrio no histórico de crimes cometidos pelos agressores”. Já o ministro das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, publicou nas redes sociais a imagem de covas sendo abertas para 160 pessoas, acompanhada de críticas ao ex-presidente americano Donald Trump.
A BBC informou ter verificado imagens registradas logo após a explosão, nas quais é possível ver fumaça saindo do prédio atingido enquanto moradores se aproximavam em meio a gritos de pânico. Registros também mostram pessoas tentando resgatar vítimas sob os escombros da escola.
Questionado sobre o caso, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos “não atacariam deliberadamente uma escola” e que não haveria qualquer interesse em atingir infraestrutura civil. Em nota à imprensa americana, o porta-voz do Comando Central dos EUA (Centcom), Tim Hawkins, declarou que os relatos são levados a sério e que a proteção de civis é prioridade nas operações militares.





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