O que deveria ser uma resposta imediata a um crime grave terminou marcado por entraves burocráticos no Judiciário do Rio de Janeiro. A investigação sobre o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, ocorrido em 31 de janeiro em um apartamento de Copacabana, teve pedidos de prisão analisados com atraso.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro solicitou as prisões ainda durante o plantão judiciário, em 6 de fevereiro. No entanto, o magistrado de plantão entendeu que o caso não apresentava urgência, o que deu início a uma tramitação que se estendeu por cerca de 20 dias.
As ordens de prisão e de busca e apreensão só foram expedidas na sexta-feira, 27 de fevereiro, três semanas após o pedido inicial dos investigadores.
Demora e perda do “efeito surpresa”
De acordo com o delegado Ângelo Lages, responsável pelo caso, a negativa de urgência e o trâmite entre diferentes varas judiciais prejudicaram a estratégia policial. O processo passou por duas varas antes de chegar à especializada, prolongando a análise.
Esse intervalo, segundo a autoridade, possibilitou que advogados dos investigados tivessem acesso ao processo e tomassem conhecimento das medidas que seriam adotadas. Para a polícia, isso comprometeu o chamado “efeito surpresa” da operação.
Quando as equipes foram às ruas no sábado (28) para cumprir os mandados, nenhum dos suspeitos foi localizado em seus endereços.
Suspeitos foragidos e entregas voluntárias
Até esta terça-feira (3), dois investigados se apresentaram às autoridades, enquanto outros dois seguem foragidos. Um adolescente também é investigado por ato infracional análogo ao crime, com procedimento em andamento na Vara da Infância e da Juventude.
Os dois jovens que se entregaram já foram transferidos para o sistema prisional em Benfica, segundo informações da Globonews.
Segundo o delegado, a falta de sigilo e a demora na decisão judicial foram determinantes para que os suspeitos deixassem suas residências antes da chegada dos agentes.
O caso é tratado pela polícia como possível emboscada. Embora tenha ido voluntariamente ao encontro, a jovem afirmou que não consentiu com a presença de outras pessoas no local nem com qualquer contato além do inicialmente combinado.
Como o crime aconteceu
De acordo com o inquérito, o episódio teve início após convite de um colega de escola para que a adolescente fosse a um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio.
O jovem teria sugerido que ela levasse uma amiga, mas a vítima compareceu sozinha. Ainda no elevador, ele informou que outros amigos estariam no imóvel e mencionou a possibilidade de “algo diferente”, proposta recusada pela adolescente.
Já no quarto, outros quatro rapazes entraram no cômodo. A vítima relatou que permitiu apenas que eles observassem, desde que não houvesse qualquer toque, condição que, segundo o depoimento, foi desrespeitada pelo grupo.
Quem são os investigados
A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou quatro jovens, de 18 e 19 anos, por estupro coletivo: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, João Gabriel Xavier Bertho, Mattheus Verissimo Zoel Martins e Vitor Hugo Oliveira Simonin.
O adolescente apontado como responsável por organizar o encontro responde em procedimento separado na Vara da Infância e da Juventude.
O foco atual da investigação é a apreensão dos celulares dos envolvidos. A polícia acredita que mensagens trocadas antes e depois do episódio podem ajudar a esclarecer se houve planejamento prévio.
O Disque-Denúncia divulgou cartaz com as imagens dos procurados. A expectativa das autoridades é que os demais investigados se apresentem nos próximos dias.






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