Fundo Amazônia acelera investimentos e aprova R$ 4,3 bilhões em projetos desde a volta de Lula

Com R$ 2,6 bilhões em novas doações internacionais, mecanismo amplia ações de combate ao desmatamento, restauração florestal e apoio a comunidades da Amazônia Legal

O Fundo Amazônia vive um período de forte expansão desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre 2023 e maio de 2026, o mecanismo recebeu R$ 2,6 bilhões em doações de oito países e da União Europeia e aprovou quase R$ 4,3 bilhões em investimentos para projetos voltados à proteção ambiental, restauração florestal e desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal.

As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (11) pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os números representam uma mudança significativa em relação ao período do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando não houve aprovação de novos projetos e as doações internacionais permaneceram suspensas.

Crescimento expressivo dos investimentos

De acordo com os dados apresentados, a média anual de projetos aprovados entre 2023 e 2025 alcançou quase R$ 1,3 bilhão, valor quatro vezes superior à média registrada entre 2009 e 2018. Do total arrecadado em novas doações, cerca de R$ 2 bilhões já foram contratados, enquanto aproximadamente R$ 600 milhões ainda aguardam formalização dos contratos.

A Noruega permanece como a principal financiadora do fundo, com R$ 618 milhões já contratados desde a retomada das atividades. Em seguida aparece o Reino Unido, com R$ 555 milhões. Também contribuem Alemanha, Estados Unidos, Dinamarca, Suíça, Irlanda, Japão e a União Europeia.

Os desembolsos efetivos também avançaram. Entre 2023 e maio deste ano, a média anual de pagamentos chegou a R$ 263 milhões, superando os R$ 149 milhões registrados durante a gestão Bolsonaro e os R$ 206 milhões observados entre 2010 e 2018. Segundo o BNDES, a diferença entre os valores aprovados e os efetivamente pagos ocorre porque os recursos são liberados gradualmente, conforme o cumprimento das etapas previstas em contrato.

O governo destaca que o período de 2023 a 2026 já concentra cerca de 60% de todas as aprovações e contratos firmados pelo Fundo Amazônia desde sua criação, em 2008. Atualmente, aproximadamente 75% dos municípios da Amazônia Legal são beneficiados por projetos financiados pelo mecanismo.

Criado para captar recursos destinados ao combate ao desmatamento e à preservação ambiental, o fundo apoia iniciativas lideradas por organizações nacionais e internacionais sediadas no Brasil. Os projetos são selecionados por meio de editais e têm como foco a conservação da floresta e o desenvolvimento sustentável das populações locais.

Restaura Amazônia é principal aposta

Entre as iniciativas de maior alcance está o programa Restaura Amazônia, que conta com R$ 450 milhões provenientes do fundo para recuperar áreas degradadas no sul e sudeste da floresta, regiões consideradas entre as mais afetadas pelo avanço do desmatamento.

Segundo o BNDES, a iniciativa pretende criar um cinturão de reflorestamento capaz de conter a devastação ilegal. As metas incluem o plantio de 24 milhões de árvores, a restauração de 14 mil hectares e a captura de 4,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono ao longo de 30 anos. A expectativa é gerar cerca de 6 mil empregos diretos.

Na quarta-feira (10), o presidente Lula oficializou o repasse de R$ 393 milhões para projetos vinculados ao programa.

A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ressaltou a importância de projetos de grande porte para ampliar os resultados da recuperação ambiental. Segundo ela, investimentos mais robustos permitem atuar em territórios inteiros, criando sinergias econômicas e fortalecendo cadeias produtivas ligadas à agricultura familiar e ao reflorestamento.

Apoio a comunidades e combate a incêndios

Além da restauração ambiental, o Fundo Amazônia destina R$ 1,2 bilhão a projetos voltados para comunidades que contribuem para a proteção da floresta. Os recursos financiam iniciativas de geração de renda, infraestrutura de saneamento, educação e fortalecimento das atividades sustentáveis.

Outro eixo prioritário é a prevenção e o combate aos incêndios florestais. Atualmente, R$ 521 milhões estão destinados à compra de equipamentos, capacitação de equipes e construção ou manutenção de bases operacionais para os corpos de bombeiros.

A preocupação ganha relevância diante da previsão de um novo episódio intenso do fenômeno El Niño, que pode aumentar o risco de secas prolongadas e, consequentemente, de incêndios em diferentes áreas da Amazônia.

Para Guilherme Checco, secretário-executivo adjunto do Ministério do Meio Ambiente, mecanismos como o Fundo Amazônia e o Fundo Clima posicionam o Brasil na vanguarda de uma nova economia baseada na restauração florestal, informa a Folha de S.Paulo. Segundo ele, a recuperação de áreas degradadas pode se transformar em uma importante fonte de empregos, renda e desenvolvimento sustentável para o país.

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