A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, dois dias depois de sua derrota na eleição presidencial, transformou-se em notícia internacional nesta terça-feira (27). De Washington a Paris, passando por Londres, Madri e Buenos Aires, veículos estrangeiros deram destaque à viagem do senador aos Estados Unidos, ao descumprimento de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao mistério sobre a rota utilizada para deixar o território brasileiro.
A repercussão ganhou força depois que a agência Reuters informou, com base em um aliado próximo de Flávio e uma fonte do governo norte-americano, que o parlamentar havia seguido para os EUA. O jornal New York Times também noticiou a viagem, citando autoridades dos Estados Unidos.
O episódio ocorreu após Flávio perder o segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25). Na segunda-feira, o senador havia negado que pretendesse deixar o país, afirmando que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao novo mandato do petista.
Reuters e New York Times destacam saída para os EUA
A Reuters acompanhou o caso desde as primeiras informações sobre o desaparecimento do senador dos locais onde costumava circular. Em uma reportagem, a agência apresentou o questionamento sobre onde estaria Flávio Bolsonaro, diante da ausência de registros oficiais de sua saída do Brasil.
Posteriormente, confirmou, por meio de fontes próximas ao parlamentar e do governo norte-americano, que ele havia viajado para os Estados Unidos. A agência também informou que o governo Trump concederia vistos ao senador, à esposa e às duas filhas.
O New York Times publicou reportagem assinada por Ana Ionova e Edward Wong, destacando que o candidato derrotado havia deixado o Brasil um dia depois de ser intimado a entregar seus passaportes, em razão de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.
A cobertura norte-americana relacionou a viagem à crise judicial enfrentada pelo senador e às possíveis consequências diplomáticas para as relações entre Brasília e Washington.
Imprensa europeia aborda fuga e possível crise diplomática
Na Europa, o jornal britânico The Guardian repercutiu a suspeita de que Flávio tivesse atravessado a fronteira com a Argentina a pé, antes de seguir para os Estados Unidos. A publicação destacou que o senador não era visto desde segunda-feira e havia perdido o prazo judicial para entregar os documentos.
Na França, o Libération abordou as dúvidas sobre o deslocamento e lembrou que Flávio possui cidadania italiana, além dos passaportes brasileiros. O Le Figaro chamou atenção para o risco de agravamento das tensões diplomáticas entre os governos Lula e Donald Trump.
O espanhol El País também noticiou a saída do senador, relacionando o episódio à derrota eleitoral e à decisão judicial que restringia sua possibilidade de viajar ao exterior.
Jornais argentinos investigam rota pela fronteira
Na América do Sul, a imprensa argentina dedicou espaço às suspeitas de que Flávio teria passado por Puerto Iguazú, cidade próxima à fronteira com o Brasil.
O canal Todo Noticias e o jornal La Nación acompanharam as informações sobre uma possível travessia terrestre e o embarque em uma aeronave particular. O caso também foi repercutido pelo Infobae.
Entretanto, autoridades argentinas informaram que não encontraram registros migratórios da entrada do senador. Uma aeronave suspeita chegou a ser inspecionada, mas não foram identificados documentos de voo que relacionassem Flávio ou seus familiares à viagem.
A Polícia Federal brasileira também informou que não havia registro de saída do parlamentar por um posto regular de controle migratório. Dessa forma, embora fontes tenham confirmado a viagem aos Estados Unidos, o trajeto exato permanecia sem esclarecimento oficial.
Descumprimento de ordem do STF amplia repercussão
A cobertura internacional também destacou que Flávio foi intimado a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito de uma investigação envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e negócios relacionados ao advogado Willer Tomaz.
O prazo terminou sem que os documentos fossem apresentados, levando a Polícia Federal a cancelá-los. Flávio nega irregularidades e sustenta que é alvo de perseguição política.
Outro elemento lembrado pela imprensa estrangeira foi a recomendação feita por Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, para que ele deixasse o Brasil caso perdesse a eleição. A Reuters também comparou o episódio à viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos após a derrota presidencial de 2022..







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