Em menos de cinco horas, uma campanha de solidariedade reuniu mais de R$ 1,5 milhão para ajudar Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, morta aos 5 anos durante uma ação policial em Niterói. A arrecadação, encerrada nesta terça-feira (27), será destinada à compra de uma casa e à formação de uma reserva financeira para Pedro, irmão da menina.
A mobilização foi organizada pelo projeto jornalístico Revelando, responsável pela série documental “O Julgamento que Nunca Aconteceu”. Após o valor superar as expectativas iniciais, os responsáveis encerraram as doações.
Segundo os organizadores, a prioridade será adquirir uma moradia segura e totalmente mobiliada. Parte dos recursos será depositada em uma poupança para o futuro de Pedro.
Casa para reunir a família
A campanha busca criar condições para que Cristiane e o filho voltem a morar juntos. Até a arrecadação, ela vivia de favor em uma habitação precária, enquanto Pedro estava na casa da avó por falta de estrutura para permanecer com a mãe.
A destinação anunciada pelos responsáveis combina o atendimento à necessidade imediata de moradia com uma reserva para o menino. O objetivo é oferecer estabilidade à família, cuja situação financeira se agravou após a morte de Ana Clara.
Alerta sobre pedidos falsos
Após o encerramento da vaquinha, o Revelando e a plataforma Vakinha alertaram para o surgimento de perfis falsos nas redes sociais. Segundo os responsáveis, essas contas tentavam se passar por familiares para solicitar dinheiro.
Os organizadores informaram que nenhum novo pedido de doação ou outra chave Pix está autorizado em nome de Cristiane. A campanha original já foi concluída.
Caso voltou a repercutir
Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói. Ela brincava na porta de casa, ao lado do irmão, quando foi atingida por estilhaços de um disparo de fuzil durante uma ação policial.
O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público pelo homicídio. O processo se prolonga há cinco anos, sem uma data definitiva para o julgamento.
O caso voltou ao debate público com a repercussão da atuação de Flávio Bolsonaro (PL) na defesa do policial. O senador assinou recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que buscavam reverter a decisão de levar o acusado a júri popular.
Na última semana, Cristiane acompanhou o debate presidencial da TV Globo na primeira fileira da plateia, a convite da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante a transmissão, Flávio se dirigiu a ela usando o nome de Ana Clara.
“Ela morreu!”, respondeu Cristiane.
O episódio teve repercussão nas redes sociais e ampliou a atenção sobre a situação da família e a mobilização por apoio financeiro.







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